Esse é um blog de Clipping de Miguel do Rosário, cujo blog oficial é o Óleo do Diabo.
Mostrando postagens com marcador wikileaks. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador wikileaks. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 11 de março de 2011

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.

do blog Maria Fro.

WikiLeaks

241953/ 12/29/2009/ 16:5309 SAOPAULO667/ Consulate Sao Paulo/ CONFIDENTIAL

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.



A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Wikileaks: William Waak 2

225709 9/17/2009 20:11 09SAOPAULO551 Consulate Sao Paulo UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY

NCLAS SECTION 01 OF 02 SAO PAULO 000551 SENSITIVE SIPDIS STATE FOR WHA/BSC E.O. 12958: N/A TAGS: PINR, PGOV, PREL, KPAO, BR SUBJECT: LEADING PSDB PRESIDENTIAL CONTENDERS STEER AWAY FROM PRIMARY SPLIT 1. (SBU) Summary: In the past week, potential candidate for the Democratic Socialist Party of Brazil (PSDB) presidential nomination and current Minas Gerais Governor Aecio Neves -- though still a candidate for the PSDB nomination -- has backed off from his former insistence that the party must hold a presidential nominating primary, a key demand that had been the cornerstone of Neves' challenge to PSDB nomination front-runner, Sao Paulo State Governor Jose Serra. Neves' re-positioning is probably driven in part by recent polling that shows Serra with a commanding lead over likely PT nominee Dilma Roussef. His sudden flexibility is good news for Serra and for the PSDB. The party can now avoid a debilitating knock-down, drag-out fight for the nomination and concentrate on honing its emerging message, which would appear to be an appeal for greater decentralization in the administration of the country. End Summary. No Primary Needed 2. (SBU) For the last year, Minas Gerais Governor Neves has insisted that the PSDB had to hold a primary to pick its presidential nominee. Such a mechanism represented Neves' best and perhaps only hope to challenge PSDB nomination front runner Jose Serra and, thereby, emerge as the principal opposition candidate to ruling Workers' Party (PT) candidate Dilma Rouseff. Serra is widely viewed a taciturn technocrat who enjoys the support of the PSDB leadership, while Neves, the young, charismatic governor of one of Brazil's most economically and historically significant states, has demonstrated a great ability to excite the party base and reach out to those outside the PSDB. The contest between these two PSDB heavyweights worried some in the party who feared a debilitating intra-party struggle that reminded them of 2002, when then-candidate Jose Serra failed to pull together all elements in the PSDB and subsequently lost the election to President Lula. What's more, the PSDB has never held a primary, and guidelines and standards for such a national event would have had to be drawn up from scratch. Finally, until recently, some had speculated that Neves might bolt the PSDB entirely and seek the PMDB nomination, splitting the anti-PT vote and significantly damaging PSDB chances in the 2010 presidential contest. Insiders Talk of a Deal 3. (SBU) In contrast to surface tensions, in recent weeks political insiders have spoken of the growing possibility of an agreement between Serra and Neves, where Serra would get the PSDB presidential nod and Neves the Vice Presidential spot. Journalist William Waack stated at a lunch with the CG on September 4 that Serra and Neves had already sealed the deal, agreeing to run together with Serra at the top of the ticket. A second participant at the event, Fernando Henrique Cardoso (FHC) Institute Director Sergio Fausto expressed surprise at Waack's assertion, but added that FHC would not permit the Serra-Neves rivalry to split the party. A Serra-Neves combination would unify the PSDB and could prove formidable. Both governors are highly popular in their respective states (recent polls give Serra 77 percent approval in SP and Neves has over 90 percent approval in MG) and they have contrasting, but potentially complementary political styles. Neves Shifts Rhetoric 4. (U) In an interview in Belo Horizonte September 9, Neves indicated that while he continues to prefer a PSDB primary, other "instruments" for choosing a candidate exist, including polls and other mechanisms for consulting the party base. Since his interview, Neves has made SAO PAULO 00000551 002 OF 002 several statements emphasizing his good relations with Serra. In a joint appearance September 14 in Sao Paulo with former President Fernando Henrique Cardoso, Serra and Neves spoke of party unity and their willingness to offer support to each other, whichever candidate wins the eventual PSDB nomination. Neves reiterated his preference for a party primary, but did not make it an absolute demand. Both emphasized the importance of their respective states in maintaining autonomy relative to a central government that they said is too centralized and collects too much in taxes. Neves Looking to the Future? 5. (SBU) While the press buzzes about a "pact" between Serra and Neves, local analysts point to a more subtle but still significant understanding. Consultant Thiago d'Aragao told Poloff that Neves had "no choice" but to become more accommodating to Serra and the PSDB. The PMDB is hurt by recent scandals and cannot provide an adequate platform for Neves' future ambitions. The Minas Governor has excellent chances of becoming Brazil's President some day, but he must bide his time. Political Scientist Rogerio Schmitt of the Center for Public Leadership agreed, stating that he and other SP analysts regard Neves' new line as laying the groundwork for a graceful exit from his campaign for the PSDB nomination, should his challenge not prosper. Comment: Not a Pact, But A Most Productive Understanding 6. (SBU) While it could be too much to call the new relationship between Serra and Neves a pact, it would appear that Neves has walked back from a potentially party-splitting confrontation with the Sao Paulo Governor. Neves' re-positioning comes on the heels of a late August IBOPE poll that gave Serra a commanding lead over PT leading candidate Dilma Roussef in a potential second round run-off (57-23). This, plus the logistical challenges of organizing a first-ever PSDB primary, probably convinced the Minas Governor to moderate his position. As things now stand, Neves can continue his quest for the party's nomination, but do so within bounds that would not foreclose reconciliation at the end of the process. WHITE

Wikileaks: Recado de Clinton

218138 7/24/2009 20:13 09STATE77662 Secretary of State CONFIDENTIAL//NOFORN

C O N F I D E N T I A L STATE 077662 NOFORN SIPDIS E.O. 12958: DECL: 07/24/2034 TAGS: PINR, PGOV, BR SUBJECT: (U) KUDOS FOR POLITICAL REPORTING (C-AL9-01632) REF: A. BRASILIA 000905 B. BRASILIA 000799 C. BRASILIA 000791 Classified By: MICHAEL P. OWENS, ACTING DIR, INR/OPS. REASON: 1.4(C). 1. (C/NF) KUDOS TO US EMBASSY BRASILIA POLITICAL SECTION FROM WASHINGTON ANALYSTS FOR CONSISTENTLY THOROUGH AND TIMELY REPORTING ON DOMESTIC POLITICAL ISSUES IN BRAZIL. REFTELS A-C ARE THE LATEST EXAMPLES OF REPORTING THAT WE HAVE USED AND WILL CONTINUE TO USE IN OUR ASSESSMENTS AS PRESIDENTIAL ELECTIONS APPROACH. BRASILIA 000905 PROVIDED A SOLID PRIMER FOR PRESIDENTIAL ELECTIONS NEXT OCTOBER; INSIGHTS WILL INFORM A FORTHCOMING ASSESSMENT TO ADDRESS POLICYMAKER INTEREST IN THE ELECTION OF PRESIDENT LULA'S SUCCESSOR. BRASILIA 000799 GAVE UNIQUE INSIGHT INTO THE CORRUPTION SCANDAL IN THE BRAZILIAN SENATE AND ITS IMPLICATIONS FOR POLITICAL INSTITUTIONS IN COUNTRY. BRASILIA 000791 PROVIDED VALUABLE INSIGHTS INTO THE PROSPECTS FOR PRESUMPTIVE WORKERS' PARTY PRESIDENTIAL CANDIDATE DILMA ROUSSEFF, WHICH WE WERE ABLE TO CITE IN HIGH-LEVEL BRIEFINGS AND WRITTEN PRODUCTION FOR POLICYMAKERS, INCLUDING THE SECRETARY OF THE TREASURY. SPECIAL THANKS TO POLITICAL OFFICER DALE PRINCE, WHOSE UNIQUE INSIGHTS INTO BRAZIL'S OFTENTIMES BYZANTINE POLITICAL SYSTEM HAVE PROVEN CENTRAL TO OUR ANALYSIS. CLINTON

WikiLeaks 24) CABLEGATE DE HEARNE

Extraído do blog Mariafro.

WikiLeaks
24) CABLEGATE DE HEARNE
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.


ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra



RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.

NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA

2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.

3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).

Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.

É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.

Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(...)

Visões de São Paulo

6. (SBU) [Nem precisa traduzir tudo: todo o PSDB de São Paulo, incluindo o Verde mais tucano – “o secretário de esportes de São Paulo, Walter Feldman” (...) “PSDB Sao Paulo State PSDB President and Federal Deputy Antonio Carlos Mendes Thame” e “Sao Paulo Municipal Secretary of Government and local PSDB insider Clovis Carvalho” –, todos, “disseram ao Cônsul que Neves é a escolha preferencial dos líderes do Partido para a vice-presidência, com Serra”. E todos , “manifestaram confiar que Neves aceitaria a convocação do Partido”. Todos “enfatizaram que o PSDB tem de vencer nos estados de Minas Gerais e São Paulo, para chegar à presidência e que o melhor meio para conseguir isso é unir Serra e Neves numa mesma chapa”].

Em separado, Bolivar Lamounier, co-fundador do IDESP, Sao Paulo Institute for Economic and Political Studies (IDESP), e Ricardo Sennes, Director de assuntos internacionais da empresa Prospectiva Consultoria Brasileira disseram ao Cônsul que acreditam que Marina Silva manterá sua própria candidatura, mas, num segundo turno, apoiará Serra, depois de ter “queimado as pontes” ao deixar o PT.

VISÕES DO PSDB EM BRASÍLIA

7. (SBU) [Também nem precisa traduzir tudo: Todo o PSDB em Brasília preferem “chapa pura”: “os senadores Eduardo Azeredo (Minas Gerais) e Alvaro Dias (Parana) disseram ao embaixador em Brasília que preferem ter o PSDB com chapa pura e disseram que há alta possibilidade de que aconteça.” (…) “o Deputado Federal de Pernambuco e vice-líder do PSDB na Câmara de Deputados Bruno Araujo disse que é pouco provável que Serra aceite candidato do DEM, sugerindo que a sempre decrescente popularidade do DEM oferece pouco a ganhar, a Serra, numa chapa ‘mista’, mesmo no nordeste, onde o DEM tem a maioria dos seus votos. Em conversa com o embaixador, essa semana, dois altos membros do PSDB reconheceram que Serra tem muito interesse em ter Marina Silva na chapa. Mas disseram que Marina Silva seria a última opção para minoria significativa no Partido, sobretudo no Rio e em São Paulo. Nenhum dos dois acredita que Marina Silva aceite o convite, mas mostraram-se otimistas quanto a obter o apoio dela no segundo turno.

(…)
COMENTÁRIO

10. (SBU) Dados a recente subida de Dilma nas pesquisas, a inabalável popularidade de Lula e o tempo que ainda falta até a convenção do PSDB em junho, os fatos que determinam quem Serra terá como vice ainda são fluidos, e nem Serra pode saber com certeza quem será o melhor candidato. As últimas pesquisas mostram diferença de um dígito entre Serra e Dilma, e já há boatos, outra vez, de que Serra pode desistir em favor de Neves, se achar que a disputa estará apertada demais no final de março. Ainda assim, Serra é o candidato mais provável e segue a procura pelo melhor vice. Uma vez que a possibilidade de uma chapa Serra-Marina é pequena, e que é pouco provável uma coalizão PSDB-DEM, os indicadores, hoje, sugerem que haverá chapa “pura”, do PSDB. A ambição de Neves, seu “star power” e sua lealdade ao partido tornam altamente provável uma chapa Serra-Neves, apesar de Neves, publicamente, dizer o contrário.

A popularidade de Aécio Neves no Nordeste (base de poder de Lula) e os votos que Neves traria para Serra em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, imporiam pesado desafio contra os esforços de Lula para coroar Dilma como sua sucessora. FIM DO COMENTÁRIO. HEARNE