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sexta-feira, 11 de março de 2011

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.

do blog Maria Fro.

WikiLeaks

241953/ 12/29/2009/ 16:5309 SAOPAULO667/ Consulate Sao Paulo/ CONFIDENTIAL

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.



A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Wikileaks: Lins e Silva

Traduzido pelo MariaFro.

WikiLeaks

241953/ 12/29/2009/ 16:5309 SAOPAULO667/ Consulate Sao Paulo/ CONFIDENTIAL

Excertos dos itens “confidenciais” do telegrama 09SAOPAULO667.


A íntegra do telegrama não está disponível

ASSUNTO: Em São Paulo, líderes políticos expõem preocupações sobre o governo do Brasil ao Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela

1. (C) RESUMO: No trecho final de sua visita de uma semana ao Cone Sul, o Secretário Assistente para o Hemisfério Ocidental do Governo dos EUA Arturo Valenzuela encontrou-se com figuras expressivas da política local e observadores econômicos em São Paulo, os quais manifestaram preocupações com a política externa do Brasil, gastos públicos e manobras políticas com vistas às eleições de outubro de 2010.

Em encontro posterior, privado, com AV [Arturo Valenzuela], o governador de São Paulo, que está na dianteira das pesquisas de intenção de voto Jose Serra alertou para o fato de que a radicalização e a corrupção crescem no Partido dos Trabalhadores (PT), no governo e sugeriu que, como presidente, conduzirá política exterior mais afinada com os EUA. FIM DO RESUMO.

Em Sao Paulo, observadores políticos e econômicos

2. (C) Concluindo sua visita à região com rápida passagem por SP no sábado, dia 18/12, Arturo Valenzuela participou de almoço oferecido pelo Cônsulo Geral e nove especialistas e observadores políticos e econômicos, entre os quais o ex-ministro de Relações Exteriores Celso Lafer, o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa, e o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Jose Goldemberg. Valenzuela apresentou panorama genérico de sua viagem e destacou a alta prioridade que o governo dos EUA dá ao relacionamento bilateral. Identificou a cooperação com o Brasil em questões regionais, inclusive Honduras, como tendo “importância crítica”.

3. (C) Todos os convidados brasileiros criticaram a política exterior do governo Lula, manifestaram preocupações sobre a crescente radicalização do Partido dos Trabalhadores e destacaram a deterioração das contas públicas. O ex-ministro RE descreveu a posição do Brasil em relação ao Irã como “o pior erro” da política exterior de Lula. O embaixador Barbosa citou o papel do Brasil em Honduras como grande fracasso. Todos criticaram a atenção que o Brasil está dando em questões internacionais com as quais o Brasil pouco tem a ver e nada a fazer (Irã, conflito Israel-palestinos, Honduras etc.), ao mesmo tempo em que se ignoram questões mais próximas, inclusive as relações com o Mercosul.

4. (C) Roberto Teixeira da Costa, vice-presidente da empresa Brazilian Center for International Relations (CEBRI) e o professor Goldemberg questionaram especialmente o interesse no Irã, dado o pequeno volume de negócios e pobres perspectivas comerciais e a improbabilidade de qualquer cooperação nuclear. [NOTA: Em conversa particular com o encarregado, Goldemberg, que também é renomado físico nuclear, disse que o Brasil nada tem a oferecer ao Irã, no campo dos combustíveis nucleares, dado que o Irã está muito a frente do Brasil na campacidade para centrifugar. Além disso, registrou que muito apreciou recente advertência da secretária Clinton, sobre países que estejam trabalhando muito próximos do Irã. E que o Brasil deveria levar mais a sério aquela advertência. FIM DA NOTA.]

O assessor-secretário Valenzuela destacou que um Irã, cada dia mais isolado, está à caça de qualquer oportunidade, como a que o governo Lula lhe deu, para esconder a ausência de cooperação e a impopularidade na comunidade internacional.

5. (C) No plano doméstico, os participantes brasileiros explicaram a estratégia do PT de tornar as próximas eleições nacionais um referendum para o governo Lula, que será apresentado como avanço em relação do governo de Cardoso. E todos alertaram para a intenção do PT, de conduzir campanha agressiva. Essa via, disseram todos, pode conseguir apresentar Jose Serra como candidato de Cardoso e ajudará a transferir uma parte da popularidade de Lula para Dilma Rousseff – que jamais concorreu a cargo público e até agora tem mostrado pouco carisma como candidata.

O Ombudsman da Folha de Sao Paulo (sic) Carlos Eduardo Lins da Silva, também presente, destacou que o PT terá força econômica que jamais teve antes, para a campanha eleitoral, depois de oito anos de governo. E o cientista político Bolivar Lamounier disse que um PT cada dia mais radical provavelmente fará campanha negativa contra a oposição. O ombudsman da Folha de Sao Paulo, Lins da Silva, acrescentou que, no caso de o PT não vencer as eleições presidenciais de 2010, com certeza usará a riqueza recém adquirida para trabalha como oposição agressiva.

6. (C) Economicamente, Teixeira da Costa disse que a percepção pública sobre o Brasil estava sendo super otimista e que os mercados despencarão rapidamente, caso a situação internacional se deteriore. Ricardo Sennes, Diretor de negócios internacionais da empresa de consultoria Prospectiva, concordou com a avaliação e disse que as contas públicas estão sob forte e crescente stress. Que a economia brasileira continuava a ser não competitiva no longo prazo, por causa da fraca infraestrutura, alta carga tributária e políticas trabalhistas rígidas. Mas todos concordaram que a forte performance da economia brasileira nos últimos oito anos e a recuperação pós-crise econômica global ajudarão na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. Sobre o papel de destaque que o Brasil teve na recente Conferência sobre o Clima, em Conference (COP-15), o professor Goldemberg disse que a performance do presidente Lula foi medíocre. E fez piada, dizendo que o Brasil deixou em Copenhague a impressão de que o Brasil desenvolveu-se muito nas duas últimas semanas. Mas elogiou muito a apresentação da secretária Clinton e disse que os países de ponta deveriam reunir-se em pequenos grupos (não como no G-77) para conseguir fazer avançar questões de financiamento e fiscalização.

O governador de São Paulo, primeiro colocado nas pesquisas eleitorais

7. (C) Em encontro de 90 minutos, privado, no Palácio do Governo, Jose Serra disse praticamente a mesma coisa sobre tendências da política nacional, corrupção crescente, gastos públicos e política externa.

Serra contou ao secretário-assessor Valenzuela que o Partido dos Trabalhadores está fazendo todos os esforços para construir uma base de poder de longo prazo, agora que conseguiu chegar ao governo. Serra alertou que o Brasil está alcançando níveis nunca vistos de corrupção e que o PT e a coalizão que o apóia usam os crescentes gastos públicos para construir uma máquina eleitoral para as próximas eleições. Por isso, e porque seu partido (PSDB), segundo o governador, é partido relativamente mais pobre, Serra não pareceu muito firmemente convencido de que chegará à presidência em outubro de 2010.

8. (C) Além de toda a política doméstica, Serra criticou a política externa do governo Lula e sugeriu que, se eleito, dará ao Brasil direção mais internacionalista. Serra citou Honduras como exemplo específico de fracasso do governo Lula, culpando o governo brasileiro e o presidente Zelaya por não deixarem que se construa solução viável. E falou muito positivamente de seu próprio engajamento, em questões de clima, com o estado da California, como exemplo de oportunidade para trabalho conjunto em questões complexas. Mas, reiterando a posição que tem assumido publicamente, Serra criticou a tarifa que os EUA impuseram ao etanol importado do Brasil, a qual, para ele, seria economicamente ilógica.

9. (C) Sobre o crescente populismo na região, Serra disse que a presidente da Argentina Cristina Kirchner pareceu-lhe “cordial e esperta” e sugeriu que, se o governo dos EUA está preocupado com as políticas populistas de Kirchner, muito mais preocupado ficará com a candidata Dilma Rousseff do PT. Alertou também que as referências que o governo dos EUA tem feito sobre uma “relação especial” com o presidente Lula não soa bem em todos os segmentos no Brasil e pode ser manipulada pelo PT. [COMENTÁRIO: À parte a Argentina, Serra pareceu em geral mal informado ou desinformado sobre recentes desdobramentos no cone sul, inclusive sobre a situação política do presidente Lugo do Paraguai, parecendo imerso, principalmente na política brasileira provinciana. FIM DO COMENTÁRIO.]

No final, Serra disse que está trabalhando em vários artigos para jornal, nos quais articulará suas críticas à política externa do governo Lula, a serem publicados nos próximos meses.


241953 12/29/2009 16:53 09SAOPAULO667 Consulate Sao Paulo CONFIDENTIAL

o de baixo é bom!
C O N F I D E N T I A L SAO PAULO 000667 SIPDIS AMEMBASSY BRASILIA PASS TO AMCONSUL RECIFE E.O. 12958: DECL: 2019/12/29 TAGS: PGOV, PREL, ECON, EFIN, BR SUBJECT: SAO PAULO LEADERS OUTLINE CONCERNS WITH GOB TO WHA A/S VALENZUELA CLASSIFIED BY: Thomas J. White, Consul General; REASON: 1.4(B), (D) 1. (C) SUMMARY: On the final leg of his week-long visit to the Southern Cone, Western Hemisphere Affairs Assistant Secretary Arturo Valenzuela met with leading political and economic observers in Sao Paulo, who expressed concern with Brazil's foreign policy, public spending, and political maneuvering in the run-up to the October 2010 elections. In a subsequent private meeting with A/S Valenzuela, Sao Paulo Governor and presidential front-runner Jose Serra warned that corruption and radicalization was growing in the ruling Worker's Party (PT) and suggested that as president he would push for a foreign policy more in tune with the United States. END SUMMARY. Sao Paulo Political and Economic Observers --------------------------------------------- -------- 2. (C) Concluding his visit to the region with a stop-over in Sao Paulo on Saturday, December 18, A/S Valenzuela attended a lunch hosted by the Consul General with the ChargC) and nine leading political and economic experts including former Foreign Minister Celso Lafer, former Brazilian Ambassador to the United States Rubens Barbosa, and former Science and Technology Minister Jose Goldemberg. A/S Valenzuela provided an overview of his trip and emphasized the high USG priority placed on the bilateral relationship. He identified cooperation with Brazil on regional issues, including Honduras, as being of critical importance. 3. (C) All of the Brazilian invitees criticized the Lula Administration's foreign policy, voiced concern over the increasing radicalization of the governing Worker's Party (PT), and stressed the deterioration of public accounts. Former FM Lafer described Brazil's stance toward Iran as the "worst mistake" of Lula's foreign policy, while Ambassador Barbosa cited Brazil's role in Honduras as a prominent failure. All agreed that the GOB is focusing on international issues (Iran, the Israeli-Palestinian conflict, Honduras, etc.) in which Brazil has few national interests and little influence, at the expense of ignoring issues closer to home, including relations with Mercosur. 4. (C) Vice Chairman of the Brazilian Center for International Relations (CEBRI) Roberto Teixeira da Costa and Professor Goldemberg particularly questioned the GOB's interest in Iran, given a paucity of commercial prospects and unlikelihood of civil nuclear cooperation. [NOTE: In an aside with ChargC), Goldemberg, who is also a renowned nuclear physicist, said Brazil has nothing to offer Iran on nuclear fuel issues as Iran is already well ahead of Brazil in centrifuge capacity. Moreover, he said he fully appreciated Secretary Clinton's recent statement about countries working closely with Iran and that the GOB should take it seriously. END NOTE.] A/S Valenzuela emphasized that an increasingly isolated Iran is looking for any opportunities like the one offered by the Lula Administration to try to cover up its lack of cooperation and unpopularity with the international community. 5. (C) Domestically, the Brazilian participants described the PT's strategy to make the upcoming national elections a referendum on the Lula administration as an improvement over the Cardoso administration and emphasized the party's intention to run an aggressive campaign. Taking this tack, they argued, could portray Jose Serra as Cardoso's candidate and help transfer some of Lula's popularity to Dilma Rousseff, who has never run for public office before and has demonstrated little charisma as a candidate so far. Folha de Sao Paulo Ombudsman Carlos Eduardo Lins da Silva highlighted the PT's unprecedented financial strength to run a campaign after eight years in government, while political scientist Bolivar Lamounier said an increasingly radicalized PT would likely run a very negative campaign against the opposition. Lins da Silva added that, in the event the PT loses the 2010 presidential election, it could use its new wealth to serve as a very troublesome opposition. 6. (C) Economically, Teixeira da Costa said that public perceptions about Brazil were overly optimistic and that markets could shift downward quickly if the international situation deteriorates further. Ricardo Sennes, Director of international affairs' consulting firm Prospectiva, echoed the assessment, saying that GOB public accounts were under increasing strain and the Brazilian economy remained uncompetitive over the long-term due to weak infrastructure, high tax burdens, and rigid labor policies. All agreed, however, that Brazil's strong economic performance over the last eight years and current recovery from the global crisis would help Dilma Rousseff's campaign. Regarding Brazil's recent high-profile involvement in the Copenhagen Climate Conference (COP-15), Professor Goldemberg said President Lula's performance was mediocre, and jockeying by the GOB left the perception that Brazil developed its position in the last two weeks. Conversely, he praised Secretary Clinton's presentation and said that major country players should meet in small groups (vice the G-77) to foster progress on issues such funding and verification. SP Governor and Presidential Front-runner Jose Serra --------------------------------------------- ---------------------- - 7. (C) In a 90-minute one-on-one meeting at the Governor's Palace, Jose Serra expressed a number of the same concerns in regards to Brazil's national political currents, rising corruption, public spending and foreign policy. Serra told A/S Valenzuela that the ruling Workers Party (PT) is making every effort to build a long-term power base while in government. Serra claimed Brazil is reaching previously unseen levels of corruption as the PT and its coalition allies use rising public expenditures to construct a political machine for the 2010 elections. In the face of such efforts, and what he described as the comparatively weak apparatus of his own PSDB party, Serra was not firmly confident he could win the presidency in October 2010. 8. (C) Beyond domestic politics, Serra criticized the Lula Administration's foreign policy and indicated that he would take Brazil in a more internationalist direction if elected president. Serra cited Honduras specifically as a Lula Administration failure, blaming the GOB stand and Honduran President Zelaya for impeding a resolution. Conversely, he highlighted his engagement with the State of California on climate issues as an example of opportunities to work together on difficult issues. However, reiterating his public position on biofuels, Serra criticized the U.S. tariff on imported Brazilian ethanol as economically illogical. 9. (C) Referring to rising populism in the region, Serra said he found Argentine President Cristina Kirchner "cordial and smart" and suggested that if the USG has concerns about Kirchner's populist politics, that PT presidential candidate Dilma Rousseff should cause greater concern. He also warned that USG references to a "special relationship" with President Lula do not resonate well with all segments of Brazil and could be manipulated by the PT. [COMMENT: Beyond Argentina, Serra appeared generally uninformed of recent developments in the Southern Cone, including Paraguayan President Lugo's political situation, and seemed primarily immersed in Brazilian domestic politics. END COMMENT.] Finally, Serra said he was working on several articles and op-eds that would publicly articulate his criticism of the Lula Administration's foreign policy in the coming months. 10. (U) WHA A/S Valenzuela has cleared this cable. White

Wikileaks: William Waak 2

225709 9/17/2009 20:11 09SAOPAULO551 Consulate Sao Paulo UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY

NCLAS SECTION 01 OF 02 SAO PAULO 000551 SENSITIVE SIPDIS STATE FOR WHA/BSC E.O. 12958: N/A TAGS: PINR, PGOV, PREL, KPAO, BR SUBJECT: LEADING PSDB PRESIDENTIAL CONTENDERS STEER AWAY FROM PRIMARY SPLIT 1. (SBU) Summary: In the past week, potential candidate for the Democratic Socialist Party of Brazil (PSDB) presidential nomination and current Minas Gerais Governor Aecio Neves -- though still a candidate for the PSDB nomination -- has backed off from his former insistence that the party must hold a presidential nominating primary, a key demand that had been the cornerstone of Neves' challenge to PSDB nomination front-runner, Sao Paulo State Governor Jose Serra. Neves' re-positioning is probably driven in part by recent polling that shows Serra with a commanding lead over likely PT nominee Dilma Roussef. His sudden flexibility is good news for Serra and for the PSDB. The party can now avoid a debilitating knock-down, drag-out fight for the nomination and concentrate on honing its emerging message, which would appear to be an appeal for greater decentralization in the administration of the country. End Summary. No Primary Needed 2. (SBU) For the last year, Minas Gerais Governor Neves has insisted that the PSDB had to hold a primary to pick its presidential nominee. Such a mechanism represented Neves' best and perhaps only hope to challenge PSDB nomination front runner Jose Serra and, thereby, emerge as the principal opposition candidate to ruling Workers' Party (PT) candidate Dilma Rouseff. Serra is widely viewed a taciturn technocrat who enjoys the support of the PSDB leadership, while Neves, the young, charismatic governor of one of Brazil's most economically and historically significant states, has demonstrated a great ability to excite the party base and reach out to those outside the PSDB. The contest between these two PSDB heavyweights worried some in the party who feared a debilitating intra-party struggle that reminded them of 2002, when then-candidate Jose Serra failed to pull together all elements in the PSDB and subsequently lost the election to President Lula. What's more, the PSDB has never held a primary, and guidelines and standards for such a national event would have had to be drawn up from scratch. Finally, until recently, some had speculated that Neves might bolt the PSDB entirely and seek the PMDB nomination, splitting the anti-PT vote and significantly damaging PSDB chances in the 2010 presidential contest. Insiders Talk of a Deal 3. (SBU) In contrast to surface tensions, in recent weeks political insiders have spoken of the growing possibility of an agreement between Serra and Neves, where Serra would get the PSDB presidential nod and Neves the Vice Presidential spot. Journalist William Waack stated at a lunch with the CG on September 4 that Serra and Neves had already sealed the deal, agreeing to run together with Serra at the top of the ticket. A second participant at the event, Fernando Henrique Cardoso (FHC) Institute Director Sergio Fausto expressed surprise at Waack's assertion, but added that FHC would not permit the Serra-Neves rivalry to split the party. A Serra-Neves combination would unify the PSDB and could prove formidable. Both governors are highly popular in their respective states (recent polls give Serra 77 percent approval in SP and Neves has over 90 percent approval in MG) and they have contrasting, but potentially complementary political styles. Neves Shifts Rhetoric 4. (U) In an interview in Belo Horizonte September 9, Neves indicated that while he continues to prefer a PSDB primary, other "instruments" for choosing a candidate exist, including polls and other mechanisms for consulting the party base. Since his interview, Neves has made SAO PAULO 00000551 002 OF 002 several statements emphasizing his good relations with Serra. In a joint appearance September 14 in Sao Paulo with former President Fernando Henrique Cardoso, Serra and Neves spoke of party unity and their willingness to offer support to each other, whichever candidate wins the eventual PSDB nomination. Neves reiterated his preference for a party primary, but did not make it an absolute demand. Both emphasized the importance of their respective states in maintaining autonomy relative to a central government that they said is too centralized and collects too much in taxes. Neves Looking to the Future? 5. (SBU) While the press buzzes about a "pact" between Serra and Neves, local analysts point to a more subtle but still significant understanding. Consultant Thiago d'Aragao told Poloff that Neves had "no choice" but to become more accommodating to Serra and the PSDB. The PMDB is hurt by recent scandals and cannot provide an adequate platform for Neves' future ambitions. The Minas Governor has excellent chances of becoming Brazil's President some day, but he must bide his time. Political Scientist Rogerio Schmitt of the Center for Public Leadership agreed, stating that he and other SP analysts regard Neves' new line as laying the groundwork for a graceful exit from his campaign for the PSDB nomination, should his challenge not prosper. Comment: Not a Pact, But A Most Productive Understanding 6. (SBU) While it could be too much to call the new relationship between Serra and Neves a pact, it would appear that Neves has walked back from a potentially party-splitting confrontation with the Sao Paulo Governor. Neves' re-positioning comes on the heels of a late August IBOPE poll that gave Serra a commanding lead over PT leading candidate Dilma Roussef in a potential second round run-off (57-23). This, plus the logistical challenges of organizing a first-ever PSDB primary, probably convinced the Minas Governor to moderate his position. As things now stand, Neves can continue his quest for the party's nomination, but do so within bounds that would not foreclose reconciliation at the end of the process. WHITE

Wikileaks: William Waak 1

248788 2/13/2010 18:48 10BRASILIA49 Embassy Brasilia CONFIDENTIAL

C O N F I D E N T I A L BRASILIA 000049 SIPDIS AMEMBASSY BRASILIA PASS TO AMCONSUL RECIFE E.O. 12958: DECL: 2020/02/13 TAGS: PGOV, BR SUBJECT: BRAZIL'S PRESIDENTIAL ELECTIONS: DILMA ROUSSEFF COMES UP FAST BEHIND JOSE SERRA REF: RIO DE JANEIRO 32 CLASSIFIED BY: Lisa Kubiske, Deputy Chief of Mission, State, Embassy Brasilia; REASON: 1.4(B), (D) 1. (C) Summary. Late January polling indicates that likely Workers' Party (PT) presidential candidate Dilma Rousseff, President Lula's chosen successor, has closed much of the gap with front-running opposition Brazilian Social Democratic Party (PSDB) candidate Jose Serra, and now trails by less than ten points in a two-way race for October's election. The narrowing of the race was widely expected; the campaign now enters a zone where predictions are more difficult, as both Rousseff and Serra struggle to overcome public perceptions that have limited their respective voter preference ratings. Some observers see the latest polls as giving her an advantage, while others attribute the surge to hard campaigning by President Lula and suggest that his star power will not be sufficient to maintain the momentum once the intense glare of campaign TV reveals weaknesses in Rousseff's candidacy. Rousseff's rise has increased pressure on Serra to announce his candidacy and on Minas Gerais Governor Aecio Neves to accept a slot as Serra's VP running mate. Meanwhile, PT and its primary coalition partner the Brazilian Democratic Movement Party (PMDB) continue to argue about which party gets to run for which state and congressional races, excluding and alienating smaller coalition parties to the extent that PSDB may be able to recruit new allies from within coalition ranks. End summary. State of Play: An Expected Rise, A Long Way to Go 2. (C) Two late January national polls - Vox Populi and CNT - yielded very similar results, indicating a slight decline in preference for Serra and a significant rise for Rousseff. The Vox Populi poll shows Serra beating Rousseff 34 to 27 percent with Brazilian Socialist Party (PSB) candidate Ciro Gomes included in the race, and 38 to 29 percent without him. In both categories, this represented a nearly 15-point net gain for Rousseff from December. CNT shows that Serra leading Rousseff by a slim 33 to 28 percent in a race with Gomes included, and a much wider 41 to 29 percent lead without him. In both polls Gomes slipped from the previous month's poll, falling from 17 to 11 percent, while Green Party (PV) candidate Marina Silva maintains ratings in the high single digits. Gomes is pulling slightly more votes from Serra than from Rousseff, while Silva's vote comes entirely at Rousseff's expense. 3. (C) These outcomes were not unexpected. As Sen. Sergio Zambiasi (Brazilian Labor Party (PTB)-Rio Grande do Sul) joked to poloff on February 2 about the polls, "Maybe the only surprise is that (Rousseff's rise) happened exactly when everybody thought." Lula's aggressive presentation of Rousseff as the centerpiece of domestic legislation (including pre-salt oil) and international negotiations (Copenhagen) has managed to boost her name recognition, in the process bringing home much of PT's natural electoral base. PT contacts are encouraged and confident but they also recognize that Rousseff's rise is only an early step in the process. Candido Vaccarezza (PT-Sao Paulo), leader of the governing coalition in the Chamber of Deputies, acknowledged to poloff that, due to Lula's strong advocacy, most of the low-hanging electoral fruit has already been picked for Rousseff. The challenge, he said, will be to get her to 40 percent - which he acknowledged would take some work. (Vaccarezza strongly supports Ciro Gomes as a third-party candidate in order to lower the threshold for Rousseff.) Rousseff: The Start of Something Big or the Best She'll Get? 4. (C) Dilma Rousseff's rise in the polls creates a positive narrative for her heading into PT's national congress, to be held in late February, where she is widely expected to announce her candidacy officially. Third-party observers offered divided opinion about how much higher Rousseff can rise from here. Two competing Brasilia-based analysts told us in the past week that the race now tips toward Rousseff, because the economy will continue to be strong and because at this point, she only needs the support of a small fraction of the 80 percent of the electorate who approve Lula's performance. Humberto Saccomandi, International News Editor of Valor Economico and political analyst Rafael Cortez of Tendencia Consultoria told Consulate General Sao Paulo much the same. Most of these analysts added, however, that Rousseff repels many with her uncharismatic performance on television and she still has to prove she can hold her own in debates and public appearances. 5. (C) Rousseff's harshest critics most often emphasize that television and public speaking will kill her candidacy. Journalist William Waack described to CG Sao Paulo a recent business forum in which Serra, Rousseff, Neves and Gomes all participated. According to Waack, Gomes was the strongest overall, Neves the most charismatic, Serra detached but clearly competent, and Rousseff the least coherent. Other critics take a more subtle tack, arguing somewhat counterintuitively that Brazil's desire for continuity after years of progress and prosperity actually benefits Serra, because he is seen by many as more likely to follow the economic path laid out by Cardoso and followed by Lula. Helio Gurovitz, News Director at Epoca magazine, described Brazil as similar to Chile, arguing that the social base of the country has developed to the extent that it would prefer to alternate parties in power in order to retain continuity, rather than keep one party in power long-term, thereby facilitating a hard shift to that party's side of the political spectrum. Others just see her as the wrong candidate at the wrong time. The Chiefs of Staff for Senators Osmar Dias (Democratic Labor Party (PDT)-Parana) and Alvaro Dias (PSDB-Parana) - who are brothers representing the same state but opposite sides of the political fence - met poloff together on February 5 and were united on one point: Rousseff will suffer among reachable voters because she is clearly not Lula. 6. (C) If Rousseff's personal lack of charisma were not enough of a worry, PT also is having problems keeping PMDB, its primary coalition partner and the largest party in Brazil, happy in the state-level races, which may have adverse effects on Rousseff's campaign. PMDB has already committed itself to support Serra in Sao Paulo, the country's largest block of votes by far. PT-PMDB infighting also continues over which candidates to support in many other gubernatorial and legislative races, without signs of resolution in virtually every major state, including Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Parana, and Rio Grande do Sul. PT may have little choice other than to resolve most of these impasses by supporting PMDB candidates, leaving little space to support aspirants from smaller coalition parties. Sen. Zambiasi, whose PTB is one of those smaller parties, confirmed to poloff that his party, among others, has been offered very little from PT to stick with Rousseff in the 2010 campaign. While declaring himself a Lula supporter (he spoke diplomatically of Rousseff, who is from his home state), Zambiasi more-or-less confirmed local rumors that PTB is strongly leaning toward backing Serra, bringing the party's advertising time with them. He added that no decision would be made during the upcoming legislative session, adding that PTB is in no hurry to be "the first to jump off the roof." Pressure Grows for Serra and Neves to Declare 7. (C) Serra meantime has maintained a relatively low national profile while PSDB surrogates such as ex-President Fernando Henrique Cardoso and Senator Sergio Guerra draw headlines for sniping with President Lula and the government. Rousseff's rise has set off another round of speculation that Serra may decide to withdraw from the presidential race and run again for Governor of Sao Paulo. Presidential International Relations Advisor Marco Aurelio Garcia suggested as much in a February 8 meeting with the Ambassador, as has virtually every PT elected official in meetings with embassy officers over the past few months. While PT has an interest in pushing this line, it also comes from third-party sources and from Sao Paulo, including Valor Economico's Saccomandi. Others, including senior Sao Paulo-based PSDB contacts such as Mayor Kassab's Chief of Staff Clovis Carvalho and PSDB State Party President and Federal Deputy Antonio Carlos Mendes Thame, have told CG Sao Paulo officers that Serra will run. At this point, Serra is still not expected to announce his candidacy until March. 8. (C) Media speculation continues on the possibility of Minas Gerais Governor Aecio Neves joining the PSDB ticket as VP. Rio de Janeiro's O Globo reported recently that Neves is finding the pressure unhelpful in political management of his own state, where Neves is trying to shore up other state PSDB candidates, and where he continues to avow that he plans to run for Senate. Two PSDB staff sources in the Federal Senate also told poloff that Rousseff's rise is ratcheting up the pressure on Governor Aecio Neves to accept a slot as Serra's vice - a position Neves has previously indicated he does not want (reftel). Both see an Aecio vice-presidential nomination as an opportunity to regain momentum in the race, a vote-winner in Minas and surrounding states, and as the best possible vice presidential option in the quest to attract smaller parties from the governing coalition to PSDB's side. Interestingly, neither PSDB source considered himself a Neves fan. Both considered him to be more image than substance, easy for PT to attack for his lifestyle, and a poor potential substitute for Serra at the front of a presidential ticket. Former Cardoso Finance Minister and PSDB senior figure Pedro Malan told Rio Principal Officer February 5 that, while he believes Neves as VP candidate would strongly boost the PSDB's prospects for victory, it is now unclear to Malan whether Neves will ultimately take the decision to join Serra's ticket. "The calculus he has to make in terms of maintaining his influence and prestige in Minas Gerais over the long term and this upcoming election is more complex than some think," Malan said. As for Neves himself, it appears he hasn't entirely shut out the VP option: he told Rio Principal Officer on February 10 that, "Sometimes you have to give time to time-let's wait and see how things develop." Comment: The Race Is About to Begin 9. (C) After months revving their engines, Brazil's two most likely presidential contenders are poised at the starting line, both standing at poll positions most analysts anticipated for them at this point. Rousseff's expected official announcement, planned for shortly after Carnaval (approximately February 20), will lead to yet another round of speculation on Serra's plans until the moment when Serra finally announces (or doesn't) in March, marking the de-facto start of the campaign. The race from that point forward becomes very difficult to predict, both because of measurable "x factors" such as the candidacies of Ciro Gomes and Marina Silva, and because of variables almost impossible to predict - such as the impact of Serra's as-of-yet-undefined campaign strategy or whether the PT's difficulties in holding its coalition together in state and congressional races will have any real effect on voter choices in October's presidential contest. At this point, assuming that Serra runs, Brazil's presidential race is the definition of a toss-up. End comment. 10. (U) This cable was coordinated with Consulates General Sao Paulo and Rio de Janeiro. SHANNON

Wikileaks: Recado de Clinton

218138 7/24/2009 20:13 09STATE77662 Secretary of State CONFIDENTIAL//NOFORN

C O N F I D E N T I A L STATE 077662 NOFORN SIPDIS E.O. 12958: DECL: 07/24/2034 TAGS: PINR, PGOV, BR SUBJECT: (U) KUDOS FOR POLITICAL REPORTING (C-AL9-01632) REF: A. BRASILIA 000905 B. BRASILIA 000799 C. BRASILIA 000791 Classified By: MICHAEL P. OWENS, ACTING DIR, INR/OPS. REASON: 1.4(C). 1. (C/NF) KUDOS TO US EMBASSY BRASILIA POLITICAL SECTION FROM WASHINGTON ANALYSTS FOR CONSISTENTLY THOROUGH AND TIMELY REPORTING ON DOMESTIC POLITICAL ISSUES IN BRAZIL. REFTELS A-C ARE THE LATEST EXAMPLES OF REPORTING THAT WE HAVE USED AND WILL CONTINUE TO USE IN OUR ASSESSMENTS AS PRESIDENTIAL ELECTIONS APPROACH. BRASILIA 000905 PROVIDED A SOLID PRIMER FOR PRESIDENTIAL ELECTIONS NEXT OCTOBER; INSIGHTS WILL INFORM A FORTHCOMING ASSESSMENT TO ADDRESS POLICYMAKER INTEREST IN THE ELECTION OF PRESIDENT LULA'S SUCCESSOR. BRASILIA 000799 GAVE UNIQUE INSIGHT INTO THE CORRUPTION SCANDAL IN THE BRAZILIAN SENATE AND ITS IMPLICATIONS FOR POLITICAL INSTITUTIONS IN COUNTRY. BRASILIA 000791 PROVIDED VALUABLE INSIGHTS INTO THE PROSPECTS FOR PRESUMPTIVE WORKERS' PARTY PRESIDENTIAL CANDIDATE DILMA ROUSSEFF, WHICH WE WERE ABLE TO CITE IN HIGH-LEVEL BRIEFINGS AND WRITTEN PRODUCTION FOR POLICYMAKERS, INCLUDING THE SECRETARY OF THE TREASURY. SPECIAL THANKS TO POLITICAL OFFICER DALE PRINCE, WHOSE UNIQUE INSIGHTS INTO BRAZIL'S OFTENTIMES BYZANTINE POLITICAL SYSTEM HAVE PROVEN CENTRAL TO OUR ANALYSIS. CLINTON

WikiLeaks 24) CABLEGATE DE HEARNE

Extraído do blog Mariafro.

WikiLeaks
24) CABLEGATE DE HEARNE
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.


ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra



RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.

NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA

2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.

3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).

Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.

É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.

Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(...)

Visões de São Paulo

6. (SBU) [Nem precisa traduzir tudo: todo o PSDB de São Paulo, incluindo o Verde mais tucano – “o secretário de esportes de São Paulo, Walter Feldman” (...) “PSDB Sao Paulo State PSDB President and Federal Deputy Antonio Carlos Mendes Thame” e “Sao Paulo Municipal Secretary of Government and local PSDB insider Clovis Carvalho” –, todos, “disseram ao Cônsul que Neves é a escolha preferencial dos líderes do Partido para a vice-presidência, com Serra”. E todos , “manifestaram confiar que Neves aceitaria a convocação do Partido”. Todos “enfatizaram que o PSDB tem de vencer nos estados de Minas Gerais e São Paulo, para chegar à presidência e que o melhor meio para conseguir isso é unir Serra e Neves numa mesma chapa”].

Em separado, Bolivar Lamounier, co-fundador do IDESP, Sao Paulo Institute for Economic and Political Studies (IDESP), e Ricardo Sennes, Director de assuntos internacionais da empresa Prospectiva Consultoria Brasileira disseram ao Cônsul que acreditam que Marina Silva manterá sua própria candidatura, mas, num segundo turno, apoiará Serra, depois de ter “queimado as pontes” ao deixar o PT.

VISÕES DO PSDB EM BRASÍLIA

7. (SBU) [Também nem precisa traduzir tudo: Todo o PSDB em Brasília preferem “chapa pura”: “os senadores Eduardo Azeredo (Minas Gerais) e Alvaro Dias (Parana) disseram ao embaixador em Brasília que preferem ter o PSDB com chapa pura e disseram que há alta possibilidade de que aconteça.” (…) “o Deputado Federal de Pernambuco e vice-líder do PSDB na Câmara de Deputados Bruno Araujo disse que é pouco provável que Serra aceite candidato do DEM, sugerindo que a sempre decrescente popularidade do DEM oferece pouco a ganhar, a Serra, numa chapa ‘mista’, mesmo no nordeste, onde o DEM tem a maioria dos seus votos. Em conversa com o embaixador, essa semana, dois altos membros do PSDB reconheceram que Serra tem muito interesse em ter Marina Silva na chapa. Mas disseram que Marina Silva seria a última opção para minoria significativa no Partido, sobretudo no Rio e em São Paulo. Nenhum dos dois acredita que Marina Silva aceite o convite, mas mostraram-se otimistas quanto a obter o apoio dela no segundo turno.

(…)
COMENTÁRIO

10. (SBU) Dados a recente subida de Dilma nas pesquisas, a inabalável popularidade de Lula e o tempo que ainda falta até a convenção do PSDB em junho, os fatos que determinam quem Serra terá como vice ainda são fluidos, e nem Serra pode saber com certeza quem será o melhor candidato. As últimas pesquisas mostram diferença de um dígito entre Serra e Dilma, e já há boatos, outra vez, de que Serra pode desistir em favor de Neves, se achar que a disputa estará apertada demais no final de março. Ainda assim, Serra é o candidato mais provável e segue a procura pelo melhor vice. Uma vez que a possibilidade de uma chapa Serra-Marina é pequena, e que é pouco provável uma coalizão PSDB-DEM, os indicadores, hoje, sugerem que haverá chapa “pura”, do PSDB. A ambição de Neves, seu “star power” e sua lealdade ao partido tornam altamente provável uma chapa Serra-Neves, apesar de Neves, publicamente, dizer o contrário.

A popularidade de Aécio Neves no Nordeste (base de poder de Lula) e os votos que Neves traria para Serra em Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, imporiam pesado desafio contra os esforços de Lula para coroar Dilma como sua sucessora. FIM DO COMENTÁRIO. HEARNE

Wikileaks & Eleições 2010 - 1

246840 2/2/2010 19:13 10RIODEJANEIRO32 Consulate Rio De Janeiro UNCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY

UNCLAS RIO DE JANEIRO 000032 SENSITIVE SIPDIS E.O. 12958: N/A TAGS: PGOV, PREL, BR SUBJECT: VIEWS ON POSSIBLE VP CANDIDATES FOR JOSE SERRA REF: 09 BRASILIA 1486 SUMMARY 1. (SBU) Political observers and party actors across the country contend there is a possibility of the Brazilian Social Democratic Party (PSDB) presumed presidential candidate and frontrunner Jose Serra asking Green Party (PV) candidate Marina da Silva to be his vice presidential candidate. While it seems unlikely at this point that Silva would accept such a role, most believe she would at least support Serra in a second round runoff with Worker Party (PT) candidate Dilma Rousseff. The Marina possibility notwithstanding, political insiders see as the most likely scenario that Minas Gerais governor Aecio Neves (PSDB) will eventually join Serra as his VP candidate, in spite of Neves' public statements he will run for Senate. Although the narrowing gap between Serra and Dilma Rousseff in the latest polls has renewed speculation that Serra might bow out in favor of Neves as the PSDB candidate, Serra remains the most likely candidate, and many of our interlocutors state a Serra-Neves ticket would be the surest way for Serra to successfully challenge President Lula's efforts to translate his own popularity into votes for Dilma Rousseff as his successor. End Summary. RIO OBSERVERS DISCUSS VP OPTIONS 2. (SBU) During a private January 12 lunch, prominent Veja magazine political columnist Diogo Mainardi told Rio Principal Officer that Mainardi's recent column proposing Green Party (PV) presidential candidate and former Lula environment minister Marina Silva as the ideal vice presidential candidate on Jose Serra's (PSDB) ticket was based on a long conversation between Serra and Mainardi, in which Serra said Marina Silva would be his "dream running mate." Serra outlined in that conversation with Mainardi the same advantages that Mainardi later listed in his column: Marina's life story and impeccable leftist credentials would trump Lula's personal appeal to poor Brazilians and place Dilma Rouseff (PT) at a disadvantage with the left, while helping Serra mitigate the association with the government of Fernando Henrique Cardoso which Lula/Dilma hope to use as a point of attack in the campaign. That said, Mainardi does not expect Marina to sign on with Serra, as she wants to establish her own credibility by running for president. However, Mainardi said he thinks - as does Serra - that Marina might well support Serra in a second round runoff with Dilma. 3. (SBU) On a more realistic level, Mainardi indicated to PO that Minas Gerais Governor Aecio Neves told Mainardi earlier this month that Neves remains "completely open" to the possibility of running as vice presidential candidate with Serra. (Note: On December 17, 2009 Neves officially terminated his "pre-candidacy" for the Presidency and indicated he had no interest in running for vice president - reported reftel. End Note). Despite Neves' public statements that he will run for Senate, Mainardi said Neves plans to wait for a scenario in which PSDB, perhaps by March, asks Neves to join the ticket, to assure the strongest possible chance against Dilma. Neves' own ambitions and his inextricably linked desire not to be a spoiler for the PSDB in the coming race would lead Neves to join the ticket, in Mainardi's opinion. This was echoed by Merval Pereira, columnist for Rio's newspaper of record "O Globo," who recounted to PO on January 21 a conversation Pereira had with Neves the day before, in which Neves said he was "firmly committed" to helping Serra in any way, including joining the ticket. A Serra-Neves ticket, opined Pereira, would win, and Pereira personally believed that not only would Neves run with Serra, but that Marina Silva would also support Serra in a runoff. 4. (SBU) Rio Federal Deputy Marcelo Itagiba (PSDB), who is closely involved with the Serra campaign, told Rio Poloff that Marina was his clear preference as Serra's VP. He cited the practical benefits to the Serra campaign, most notably the increase in television airtime he would gain by tapping into Marina's share (Comment: Given that party campaign airtime is based on legislative seats won in 2006 and the PV's minimal showing in that election, increased airtime for a Serra-Marina ticket would be negligible. End Comment). At the same time, Itagiba shared Mainardi's assessment of Neves, stating Neves would likely join the Serra ticket, if a Serra first round victory does not appear assured. "If this is the will of the party, Neves will accept," he said. 5. (SBU) While Rio Deputy Otavio Leite (PSDB), minority leader in the House of Deputies (Camara), told Poloff he did not believe Marina would accept any VP offer from Serra, he stated, the PSDB was counting on her support in a second round. On Neves, Leite offered a dissenting view from the other Rio interlocutors, saying Neves' election to the Senate was a foregone conclusion and would be a much more attractive option than VP, considering Neves' presidential ambitions, especially if the Senate term carried with it the Senate presidency, as many believe it will. Leite assessed that a mixed ticket with allied opposition party DEM would be a real possibility, naming Senator Jose Agripino from Rio Grande do Norte as a leading contender. Rio Federal Deputy Rodrigo Maia, president of the DEM party, also confirmed to Poloff that Agripino's name was on a shortlist of Serra VP candidates and discounted Marina's willingness to join a Serra ticket or even support him in a second round. "She will go back to Lula in the end," Maia said. "We cannot count on her." (Comment: Maia's opinion of Marina Silva reflects a significant difference between long-time allies PSDB and DEM. PSDB members are by and large comfortable with Marina while DEM, which has an agrarian base, sees her as philosophically incompatible and a potential threat to their economic interests. End Comment). VIEWS FROM SAO PAULO 6. (SBU) Sao Paulo Federal Deputy (PSDB) and City Secretary for Sports Walter Feldman told Sao Paulo Econoff that a unified PSDB presidential ticket with Neves would strengthen Serra's chances in the October elections. Describing Serra and Neves as Brazil's two best governors, Feldman expressed confidence that their combined record of administrative achievement in elected office would resonate with voters underwhelmed by Dilma Rousseff's performance at Minister in President Lula's cabinet. In subsequent discussions with PSDB Sao Paulo State PSDB President and Federal Deputy Antonio Carlos Mendes Thame and Sao Paulo Municipal Secretary of Government and local PSDB insider Clovis Carvalho, both told Econoff that Neves was choice of the party leaders for the VP slot and they were confident he would answer the call. Both emphasized that PSDB must deliver Minas Gerais and Sao Paulo states to win the presidency and that the best way to do that was to bring Neves onto the Serra ticket. Separately, Bolivar Lamounier, co-founder of the Sao Paulo Institute for Economic and Political Studies (IDESP), and Ricardo Sennes, Director of international affairs consulting firm Prospectiva Consultoria Brasileira told Econoff they expected Marina to carry through with her own campaign but throw her support behind Serra in a second round after having "burned bridges" with her exit from the PT. PSDB OUTLOOK IN BRASILIA 7. (SBU) Other PSDB players discount the likelihood of a mixed ticket. While acknowledging that Serra strongly prefers a coalition ticket and that Neves wants to run for senate, Senators Eduardo Azeredo (Minas Gerais) and Alvaro Dias (Parana) told Brasilia Poloff that the party faithful want a pure PSDB ticket, and claimed such an outcome was likely. Pernambuco Federal Deputy and PSDB vice leader in the House of Deputies Bruno Araujo also downplayed the possibility of Serra tapping a DEM representative, implying the DEM's diminishing popularity left Serra with little to gain from such a ticket, even in the northeast, where the DEM party has the most seats. In conversations with Poloff this week, two senior PSDB staff members acknowledged Serra' interest in Marina as a VP candidate, and described her as the latest big idea among a large minority within the party, especially in Rio and Sao Paulo. Neither believed Marina would ever accept such an offer but both were optimistic about gaining her support in the second round. RECIFE: THE NORTHEASTERN PERSPECTIVE 8. (SBU) Recife political analyst Andre Regis (also a lawyer, Federal University of Pernambuco professor and active PSDB member) told post recently that PSDB believes a Serra-Aecio ticket would do well in the Northeast. While he acknowledged that Dilma's poll numbers have gradually improved in the region, Serra still has some advantages over her with voters enthralled by President Lula's charisma and history. Admitting that Serra also suffers from an image as more of a technocrat than a politician, he asserted that Aecio would help shore up the opposition ticket if he accepted the nomination for vice president. 9. (SBU) Pernambuco PV president Sergio Xavier confided to post last week that, in his opinion, Marina Silva will maintain her own candidacy, but is certain to support Serra in a second round. He added that PSDB, being very weak in Rio, needs an alliance with PV there to benefit from a Fernando Gabeira candidacy for governor (Note: On January 26, the PSDB and PV announced Marcelo Fortes, PSDB's VP in Rio, would be Gabeira's running mate for governor of Rio state. End Note). Regarding possible DEM running mate Agripino, contacts in Natal told PO this month that he may not even win re-election to the Senate, due to his old-style image and lack of charisma. Serra would not get the needed boost in the Northeast if he were to tap Agripino, who was once implicated in a vote-buying scandal in Rio Grande do Norte. COMMENT 10. (SBU) With Dilma's recent ascent in the polls, Lula's unwavering popularity, and significant ground to yet cover between now and the PSDB's Convention in June, the factors that determine Serra's choice for VP candidate are still too fluid even for Serra himself to know who the best candidate will be. With the latest polls showing a single-digit margin between Serra and Dilma, speculation has even surfaced again that Serra might bow out in favor Neves as the PSDB candidate if he thinks the race too close at the end of March. Nonetheless, Serra is still the most likely candidate and his hunt for the strongest VP candidate continues. Given the long shot prospect of a Serra-Marina ticket and the politically inexpedient possibility of a PSDB-DEM coalition, current indicators point to a pure PSDB ticket. Neves' ambition, star power, and loyalty to the party make a Serra-Neves ticket a real possibility, in spite of Neves' public comments to the contrary. Neves' popularity in the Northeast (Lula's power base) and the votes Neves would bring Serra in Minas Gerais, the country's second largest voter state, would constitute a very powerful challenge to Lula's efforts to crown Dilma as his successor. End Comment. 11. (U) This cable was coordinated with and cleared by Embassy Brasilia and Consulates Sao Paulo and Recife. HEARNE

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Globo 27/09 - - Ricardo Noblat

"A democracia é exatamente isso : cada um fala o que quer , escreve o que quer, e o povo faz o grande julgamento" (Lula)

Melhor esquecer

Droga de campanha, esta. Fora do controle do seu marqueteiro, Dilma revelou-se incapaz de dissertar sobre qualquer coisa com começo, meio e fim. A racionalidade excessiva de Serra embotou todo tipo de emoção que ele pudesse transmitir. Marina arrancou lágrimas de empresários em pequenas auditórios, mas saiu-se mal nos debates de televisão.
Alguém sabe citar de cor as principais promessas feitas pelos candidatos? Lembro das seis mil creches e das não sei quantas Unidades de Pronto Atendimento de Dilma, do salário mínimo de R$ 600,00 e do reajuste dos aposentados de Serra, e do governar com os melhores de Marina. Em suma: promessas pontuais ou genéricas.

Um projeto para o país? Algo ambicioso, mas necessário para quem se preocupa com o futuro? Os candidatos ficaram devendo. Ou porque não têm projeto, ou porque acham que projeto não atrai votos. Dilma fala em dar continuidade ao governo Lula. Serra diz que o Brasil pode mais. Marina atesta: é possível crescer respeitando o meio ambiente.

Dilma mimetizou Lula de tal maneira que usou em várias ocasiões expressões que são dele. Deu com o rosto na porta quem imaginou que o governo de Lula foi de Lula. Não foi. Foi de Lula e de Dilma, a se acreditar na propaganda bem cuidada da candidata. Os dois governaram juntos o país nos últimos sete anos e poucos meses.

Serra mimetizou Serra de tal forma que deu a impressão de estar de volta a 2002 quando era ministro da Saúde. Ou quando era candidato a presidente da República recém-saído do Ministério da Saúde. Marina não mimetizou ninguém. Apenas pareceu esquecida de que trocou o PT por outro partido. Perderá feio no Acre porque lá ela ainda é PT.

E o confronto de idéias entre os candidatos? Não houve. Dilma fugiu da maioria dos debates. E as regras dos debates impediram o confronto tão desejável. Votará em Dilma quem gostaria de votar em Lula e não se incomoda em lhe passar um cheque em branco. Em Serra, quem não vota em Lula e no PT de jeito nenhum. E em Marina, os sonhadores.

Na ausência de idéias e de debates, as pesquisas de intenção de voto pautaram o comportamento dos candidatos, ocuparam generoso espaço na mídia e serviram para animar discussões exacerbadas na internet. Os responsáveis pelos institutos de pesquisas ganharam uma importância que não tiveram em eleições anteriores.

Montenegro, do Ibope, previu a eleição de Serra com mais de um ano de antecedência. Foi obrigado mais recentemente a pedir desculpas pelo seu erro. O sempre discreto Marcos Coimbra, do Vox Populi, escreveu artigos semanais para jornais, revistas e blogs explicando por que Dilma deverá se eleger no primeiro turno.

É, de fato, o que por ora está escrito nas estrelas - a eleição de Dilma no próximo domingo. José Roberto Toledo, analista de pesquisas do jornal O Estado de S. Paulo, observa que o contingente de eleitores indecisos está perto de se esgotar como fator de crescimento dos candidatos Serra e Marina.

Para que haja segundo turno, a estarem certas as pesquisas, é preciso que Serra e Marina tomem eleitores de Dilma. Não será uma tarefa fácil, adverte Toledo. Dilma tem algo como 10 milhões de votos a mais do que Serra e Marina somados. Do último sábado até o dia da eleição, Serra e Marina teriam de subtrair de Dilma 625 mil votos por dia.

Só um fato devastador para a reputação de Lula poderia provocar uma migração de votos tão grande e tão rápida. Mesmo assim, o PT receia a convergência de causas mais prosaicas - entre elas, uma abstenção elevada no Norte e Nordeste e a regra que só permite o voto dos que exibam o título de eleitor e outro documento de identificação.

É razoável a aflição do PT. Faltam apenas seis dias para que Lula consiga por meio de Dilma o que não foi possível em 2002 e 2006 - a eleição no primeiro turno. Em seis dias tudo pode acontecer - inclusive nada. O mais provável é que nada aconteça.

Globo 27/09 - - Um Rio contra a maré

Pesquisa mostra Marina empatada com Serra no estado, confirmando tradição de voto em candidatos que não são preferência nacional
Fábio Vasconcellos

E, na reta final da disputa nacional, a preferência eleitoral do Rio de Janeiro começa a destoar do restante do país. Os dados da última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, mostram a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, empatada com José Serra, do PSDB, que têm, respectivamente, 22% e 23% das intenções de voto no estado. Na capital, a verde já ultrapassou o tucano.

Tem 24% contra 21%. Para especialistas, o crescimento de Marina indica uma certa tradição do Rio por candidatos que, nacionalmente, ainda não caíram no gosto dos eleitores. Eles não acreditam em viradas, já que a candidata do PT, Dilma Rousseff, tem 45% no estado, mas concordam que os dados têm lastro histórico.

Em 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva já tinha a preferência nacional dos eleitores, no Rio o ex-governador Anthony Garotinho venceu o petista nas urnas no primeiro turno (42% a 41%). Quatro anos depois, mesmo com a vitória de Lula no estado, a candidata do PSOL, Heloísa Helena, obteve no Rio o maior percentual de votos: 17%, e ficou em terceiro lugar.

O índice superou, inclusive, sua votação em Alagoas (13%), base eleitoral da candidata.

Pelo Datafolha, a intenção de voto em Marina no Rio subiu dez pontos percentuais em relação a julho. Com isso, seu patamar está nove pontos acima da sua média nacional, que é de 13%. José Serra, por outro lado, perdeu oito pontos de julho a setembro.

Caiu de 31% no Rio para 23%, e está cinco pontos abaixo de sua média nacional, que é de 28%, segundo o instituto de pesquisa.

Professor e cientista político da UFRJ, Paulo Baía diz que o Rio tem tradicionalmente um comportamento de oposição à tendência nacional.

Em 1989, por exemplo, Leonel Brizola venceu no Rio contra Collor, que tinha boa intenção de voto no país. A diferença foi de 2,6 milhões para Brizola. Para Baía, os votos de Marina podem estar vinculados à memória da última eleição municipal, quando o então candidato Fernando Gabeira (PV) conseguiu mobilizar o eleitorado.

O Rio tem essa tendência de oposição, embora isso não se manifeste em todas as eleições. E essa tendência é mais forte na capital, onde se concentram 50% dos votos.

Se contarmos as cidades no entorno, o percentual pula para 73%. Ou seja, a capital tem uma influência considerável no comportamento eleitoral do estado diz Baía. Os votos em Marina, a meu ver, são uma forma de os eleitores cariocas, tradicionalmente mais críticos, pressionarem Dilma a assumir as bandeiras da candidata do PV, caso seja eleita.

Maria Celina DAraujo, professora do departamento de sociologia e ciência política da PUC-RJ, lembra que foi no Rio que surgiu o movimento verde e manifestações culturais que se expandiram para o restante do país. Na avaliação de Maria Celina, a classe média carioca tem um comportamento mais progressista quando se trata de temas nacionais.

Ela, ressalta, contudo, que a tendência desse comportamento eleitoral não se manifesta nas eleições locais, onde ainda prevalecem antigas práticas: Brizola dizia que São Paulo era o polo de negócios, e o Rio um polo de ideias. Nós temos no Rio uma classe média que, historicamente, se mostrou mais irreverente do ponto de vista político, na música e em outros movimentos. O Rio é a cidade que abraça a Lagoa, que teve a famosa sunga do Gabeira na praia.

Além disso, o Rio tem uma relação mais intensa com a natureza do que, por exemplo, São Paulo. Aqui o movimento ecológico é mais forte.

Professora do programa de pósgraduação da UFRJ, a cientista política Ingrid Sarti ressalta que o voto no estado sempre foi mais à esquerda.

Ele explica, por outro lado, que o crescimento de Marina no Rio se deve também à perda de força do PSDB no Rio, que não conseguiu mobilizar os eleitores de Serra.

A Marina subiu com os votos dos indecisos. Tradicionalmente, o Rio tem um voto mais à esquerda. O Lula sempre teve boa votação aqui.

Globo 26/09 - - Tráfico de influência com conta no exterior

Quícoli, que denunciou esquema na Casa Civil, diz que propina iria para Hong Kong
Tatiana Farah SÃO PAULO

Oesquema de tráfico de influência instalado na Casa Civil contaria até com duas contas em Hong Kong, na China, para onde deveriam ser enviadas as propinas pagas pelas facilidades obtidas, segundo o empresário Rubnei Quícoli, de Campinas. Esse esquema seria comandando pelo ex-diretor de Operações dos Correios Marco Antonio de Oliveira, seu sobrinho Vinícius Castro, ex-funcionário da Casa Civil, e Israel Guerra, filho da exministra da pasta Erenice Guerra.

A denúncia, que consta de reportagem da revista Veja desta semana, foi confirmada ontem por Quícoli. O empresário que, em parceria com as empresas de energia EDRB e KVA, tentava um empréstimo de R$ 9 bilhões no BNDES enviou ontem ao GLOBO, por email, os números de duas contas no HSBC de Hong Kong, em nome de Right Day Enterprises Limited e Tartar International Limited, que seriam do genro de Marco Antonio, o empresário Roberto Ribeiro. Este negou ao GLOBO ter passado os dados com o propósito de que fosse depositado dinheiro fruto de propina, mas confirmou ter se reunido com Quícoli.

Pedido de propina de R$ 5 milhões

Segundo Veja, Marco Antonio chegou a pedir que o genro, que mora em Miami, viesse ao Brasil para se reunir com Quícoli. O encontro, conta a reportagem, ocorreu em 12 de junho, no Hotel Inter Continental da Alameda Santos, em São Paulo.

Essa conta (no exterior) é do genro do Marco Antonio. Após o Vinícius não ter sucesso comigo, o M.A. (como Marco Antonio é chamado) tomou frente para arrecadar R$ 5 milhões dizendo que seria para a Erenice apagar um incêndio dela e da Dilma e outro valor não mencionado pelo M.A. para ajudar na campanha do Helio Costa respondeu Quícoli, por e-mail, ao GLOBO.

O e-mail de Ribeiro a Quícoli é datado de 25 de maio deste ano.

No dia 6 de maio, Quícoli já havia recebido um e-mail que seria de Vinícius, em que é apresentada uma conta para depósito no Brasil, em nome da Synergy Assessoria e Consultoria Empresarial LTDA, de Brasília.

No texto, Vinícius pede que, tão logo possível, (Quícoli) encaminhe minuta do contrato para levarmos ao jurídico e providenciarmos o preenchimento da respectiva nota fiscal.

Primeiro, o Vinícius me enviou essa conta (a da Synergy). Eu enrolei e, lógico, não aceitei jamais respondeu Quícoli ao GLOBO.

O contrato seria feito com a Capital Assessoria, empresa da mãe de Vinícius Castro e de Saulo Guerra, outro filho de Erenice Guerra. O serviço prestado pela Capital seria a intermediação do empréstimo no BNDES para a construção de uma usina de energia eólica no Nordeste do país.

O grupo de lobistas teria se contentado em receber R$ 5 milhões para viabilizar o empréstimo. Esse é o dinheiro que deveria ter sido depositado nas contas de Hong Kong. Segundo Veja, os números das contas no exterior foram oferecidos a Quícoli como uma opção mais discreta para o recebimento da propina. Quícoli, porém, afirma que não aceitou a proposta e não pagou a propina. Segundo o empresário, o empréstimo do BNDES foi suspenso depois que ele se negou a pagar pelo lobby.

Apesar de negociar com a Capital, Quícoli já afirmara ao GLOBO que nunca se encontrou com os irmãos Saulo e Israel Guerra, filhos de Erenice.

Mas disse que participou de várias reuniões na Casa Civil, a primeira com a então secretária do ministério, Erenice Guerra. Na ocasião da entrevista, Quícoli disse não saber se os R$ 5 milhões pagariam dívidas de campanha, nem se Dilma e Erenice sabiam do pedido milionário: Não me disseram que era (para cobrir) um rombo da campanha.

Acho que eram dívidas particulares.

Alguma coisa assim que o partido não tinha como sustentar.

Acho que eram coisas particulares e não tinham nada a ver com o partido, em si. Ele (Marco Antonio) me disse que era dos três, na verdade, Dilma, Erenice e Helio Costa.

Ex-braço direito de Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, Erenice negou ter permitido um esquema de facilitações a empresas na Casa Civil. O PT ingressou com uma ação na Justiça Eleitoral contra o empresário de Campinas, alegando calúnia e difamação contra o partido.

Helio Costa também negou ter pedido dinheiro. O BNDES negou a existência de lobby para favorecer as empresas ligadas a Quícoli.

Veto foi estopim da denúncia

Perguntado sobre sua motivação e a data escolhida para fazer a denúncia, publicada pela Folha de S. Paulo há duas semanas, o empresário respondeu que aproveitou o momento das denúncias do empresário Fabio Baracat sobre a Capital: Como uma ministra coloca os filhos dela lá para viabilizar aporte de R$ 9 bilhões? Quando vi que o contrato que eu tinha, da empresa (Capital), era a mesma, conversei com a empresa (ERDB) e falei: vou me manifestar.

Primeiro, chequei no BNDES e deu que o meu projeto estava totalmente anulado. Daí, deu a entender que, realmente, o poder deles, por eu não ter assinado o contrato, foi de vetar.

Foi o estopim para mim.

Globo 26/09 - - Cresce apoio a manifesto pela imprensa

Lançado na quarta-feira, documento já havia obtido 35,6 mil assinaturas de adesão, até a tarde de ontem

SÃO PAULO. Lançado na quartafeira na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o Manifesto em defesa da democracia e da liberdade de imprensa reunia até a tarde de ontem cerca de 35,6 mil assinaturas, segundo o site www.defesadademocracia.com.br, que divulga o documento e recolhe adesões. Endossam o manifesto personalidades como os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.; o arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns; o exprocuradorgeral da República Aristides Junqueira; o ex-presidente do STF Carlos Velloso; o ex-ministro Pedro Malan; e o escritor Ferreira Gullar.

O cerne da democracia é a vigilância. É uma plantinha tenra, e, se não tomarmos cuidado, pisam nela disse ontem Bicudo, que leu o manifesto em seu lançamento.

A iniciativa foi uma reação aos ataques nas últimas semanas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à imprensa e à convocação de um ato contra a mídia na quinta-feira, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que contou com o apoio de centrais sindicais, do PT e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Quando o li o documento, me lembrei da Carta aos brasileiros, lida por Gofreddo da Silva Telles na ditadura. Antes, era uma proposta de luta contra a ditadura militar. Agora, é contra qualquer tipo de ditadura em decorrência do acúmulo do poder nas mãos de uma só pessoa comparou Bicudo.

sábado, 25 de setembro de 2010

Globo 25/09 - - Limites

Merval Pereira

A pesquisa do Ibope divulgada ontem pelo "Jornal Nacional" confirma a tendência de redução da diferença entre a líder, Dilma Rousseff, e seus mais próximos competidores, o tucano José Serra e a verde Marina Silva. Pelo Ibope, essa redução está se dando mais pela definição dos indecisos em favor deles do que de uma queda da candidata oficial, o que significa que esse movimento não é suficiente para impedir que Dilma vença no primeiro turno.

Mas essa quebra de rotina das últimas pesquisas mostra que pelo menos alguma coisa se move na disputa eleitoral, e que os candidatos oposicionistas estão sendo capazes de produzir mais fatos do que a governista nesta reta final.

Principalmente Marina, que está recolhendo apoios simbólicos importantes, como o do senador Pedro Simon, do PMDB independente, e a da modelo internacional Gisele Bündchen.

Serra tenta reforçar sua presença em Minas e em São Paulo, os dois estados governados por tucanos que teoricamente deveriam dar a ele uma dianteira que permitisse partir para a disputa eleitoral com uma vantagem importante.

Não é o que está acontecendo, embora nas últimas horas a vitória de Dilma em São Paulo pareça estar se diluindo.

Em Minas, prevalece o voto Dilmasia (Dilma e Anastasia), mas o apoio ontem, em Diamantina, do ex-presidente Itamar Franco é simbólico de uma distensão na política mineira que pode, num eventual segundo turno, reverter o quadro naquele estado.

Itamar, que caminha para se eleger senador pelo PPS, simbolizava a resistência mineira à supremacia paulista na política brasileira.

Enfim, a política está tendo lugar nesta campanha eleitoral e por uma decisão equivocada, para o seu objetivo político, do próprio presidente Lula.

Ele quebrou o marasmo que predominava na campanha para sair em ataque aos meios de comunicação e aos adversários eleitorais, na tentativa de neutralizar os estragos que a crise com a demissão da ministra Erenice Guerra da chefia da Casa Civil poderia provocar na candidatura de sua escolhida.

Completamente sem limites, Lula foi pulando de palanque em palanque, ora anunciando a determinação de "extirpar" o DEM, ora tentando insuflar o povo contra o que chamam de "mídia" ou "grande imprensa", que estaria conspirando contra o seu governo.

O partido oposicionista tem sido uma barreira no Senado contra as ações governistas, e foi o protagonista da maior derrota pessoal de Lula, a derrubada da CPMF, que ele nunca engoliu.

Uma tarefa a que Lula se dedica nessa campanha é tentar impedir que políticos como os senadores Agripino Maia e Marco Maciel, do DEM, voltem a ter uma cadeira no Senado. Pode conseguir o intento em alguns estados, em outros será derrotado.

Mas a sua desenvoltura em assumir a posição de cabo eleitoral de uma candidata - situação que ele mesmo já ironizou, menosprezando as críticas à sua atuação - e os ataques diretos aos meios de comunicação provocaram reações radicalizadas em seu próprio grupo, e geraram reação contrária na sociedade.

Estimulados pela agressividade do chefe, logo centrais sindicais, ONGs, partidos políticos e entidades que servem como correia de transmissão do governo como a UNE convocaram uma manifestação contra um suposto "golpe midiático" que teria o objetivo de impedir a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno.

A reação da sociedade veio imediatamente, e hoje já são mais de 30 mil assinaturas - e segue aumentando a adesão pela internet - ao manifesto de intelectuais, políticos e representantes da sociedade civil contra o "autoritarismo" do governo, que trata adversários políticos como inimigos e os meios de comunicação como partidos políticos de oposição.

A arrogância de se anunciar a própria "opinião pública" mostra a que ponto chegou a megalomania do presidente Lula.

Na mesma quinta-feira em que se anunciava a manifestação de sindicatos "pelegos" contra a liberdade de expressão, participei no Clube Militar do Rio, em companhia de Reinaldo Azevedo e de um representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), de um painel sobre as ameaças à liberdade de expressão.

O único tumulto havido foi provocado por um pequeno grupo de manifestantes em frente ao Clube Militar, protestando contra o que classificavam de "hipocrisia" dos militares defendendo a democracia.

Na sala lotada, não houve uma só manifestação de radicalização política, e o consenso foi de que é preciso ficar atento permanentemente às tentativas do governo de controlar os meios de comunicação, seja através de projetos que criem conselhos cuja função específica seria tutelar a imprensa, seja através de constrangimentos comerciais que criem problemas financeiros às empresas jornalísticas independentes.

Ao mesmo tempo, o governo monta a sua sombra e à custa do erário público uma cadeia de blogs e de jornais e televisões, inclusive a estatal, para garantir um noticiário favorável a suas ações.

Como tenho escrito aqui na coluna desde os primeiros movimentos do governo no sentido de controlar a produção jornalística e cultural no país, é a sociedade que dá os limites aos avanços do PT.

Foi o que aconteceu também dessa vez. Diante da péssima repercussão que tiveram as críticas do presidente Lula e a manifestação contra a liberdade de imprensa promovida por sindicatos "pelegos", o governo refluiu nos seus ataques.

A reunião paulista acabou se realizando a portas fechadas no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, esvaziada de sua representatividade pela ausência de dirigentes partidários ou sindicais de peso, e já há movimentos dentro do governo para convencer o presidente Lula de que suas críticas estão provocando um ambiente de tensão política que, em última análise, não é bom para sua candidata.

O que mais Dilma quer, para usarmos a metáfora futebolística tão ao gosto do nosso presidente, é, a esta altura do campeonato, não entrar em bola divida e deixar o tempo correr para manter a vantagem que já conseguiu.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Folha 23/09 - - Força e espuma da onda vermelha

Renata Lo Prete



A se confirmarem os números das pesquisas, o PT não sofrerá nenhum revés relevante na eleição

A POPULARIDADE do presidente da República já havia apagado o desenho no qual os brasileiros se dividiam em três fatias mais ou menos iguais: os pró-Lula, os anti-Lula e os que se moviam ao sabor da conjuntura. Desde 2008, a parcela que o reprova não chega a um décimo.
A novidade de 2010 é que também o PT pode dar um salto e derrubar a tese de que possui piso e teto semelhantes, cada um em torno de um terço do eleitorado.
A se confirmarem os números das pesquisas, o partido não sofrerá nenhum revés significativo em 3 de outubro. Perderá apenas onde já esperava perder. Ganhará também onde não esperava ganhar.
É o caso das disputas para governador, que a legenda não tratou como prioritárias -por decisão de Lula, em vários Estados aliados foram privilegiados em troca de apoio à candidatura de Dilma Rousseff.
Ainda assim, o PT, que hoje controla quatro unidades da federação, poderá ficar com cinco ou seis.
Diferentes institutos dão como certas as vitórias no primeiro turno de Jaques Wagner (Bahia), Marcelo Déda (Sergipe) e Tião Viana (Acre).
E como prováveis as de Tarso Genro (Rio Grande do Sul) e Agnelo Queiroz (Distrito Federal).
As dificuldades para a reeleição de Ana Júlia, no Pará, não chegam a surpreender, tantos foram os erros no primeiro mandato -mesmo assim, sobrevive a possibilidade de uma arrancada na reta final.
Surpreendente é a dianteira de Tarso, que conseguiu atrair mais adesões do que o insosso -e por isso mais palatável- PMDB gaúcho.
Ou o resultado consagrador que se avizinha na Bahia, não obstante os adversários de peso.
No Senado, o PT poderá pular dos atuais 8 para até 15 representantes.
Lidera, de maneira isolada ou em situação de empate técnico, em colégios eleitorais importantes, como São Paulo (com Marta Suplicy), Rio de Janeiro (Lindberg Farias), Pernambuco (Humberto Costa), Bahia (Walter Pinheiro) e Paraná (Gleisi Hoffmann). À exceção da ex-prefeita, os demais estão superando as expectativas.
Os únicos candidatos a senador com desempenho aquém do programado são justamente os que foram sacrificados pelo partido.
Fernando Pimentel (MG) paga o preço do jamais assumido pacto de não agressão entre o Planalto e Aécio Neves (PSDB) em benefício do voto "Dilmasia". Já Paulo Paim (RS) sofre por ter atuado durante oito anos à margem e eventualmente contra os interesses do governo.
Na Câmara, nem o PMDB contesta a estimativa de que a onda vermelha elegerá a maior bancada, com mais de cem deputados.
E há Dilma, hoje na frente em todos os Estados pesquisados pelo Datafolha, inclusive nos redutos tucanos: tem o dobro da intenção de voto de Serra em Minas e, ainda que na vizinhança da margem de erro, segue à frente em São Paulo.
Daí a preocupação do PT com os mais recentes escândalos da campanha. Tráfico de influência na Casa Civil, propina nos Correios, violação de sigilo na Receita: esses episódios não alvejam exclusivamente Dilma. São também um teste de estresse da nova fase do relacionamento entre o partido e o eleitor.

RENATA LO PRETE é editora do Painel

Folha 23/09 - - Itamar Franco usa TV para se vender como o pai do Plano Real e ignora FHC

DE BELO HORIZONTE - O ex-presidente Itamar Franco (PPS), candidato ao Senado por Minas, dedicou ontem seu programa eleitoral de TV do horário da tarde para dizer que "fez o Plano Real", que reduziu a inflação.
Em nenhum momento, Itamar cita Fernando Henrique Cardoso, que na época era seu ministro da Fazenda. Os dois sempre disputaram a paternidade do plano.
Um narrador afirma que Itamar "assumiu a Presidência do Brasil em um momento muito difícil, lançou o Plano Real e venceu a inflação".
Itamar já chegou a mostrar na TV que "fez o seu sucessor", mas também sem nunca citar FHC.
O programa também relaciona seu governo, que foi de 1992 a 1994, ao desempenho atual do país. "Itamar Franco abriu o caminho para o desenvolvimento do país de hoje", afirma. (RODRIGO VIZEU)

Globo 23/09 - - Tempos petistas

Merval Pereira

"Por ironia do destino, os militares estão organizando um evento para defender a liberdade de imprensa no mesmo dia em que os sindicatos e os movimentos sociais organizam uma manifestação para atacar a liberdade de imprensa. Os tempos mudaram". O comentário de Paulo Uebel, diretor-executivo do Instituto Milennium, é sintomático dos tempos que estamos vivendo.


O Clube Militar está realizando no Rio um painel intitulado "A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão", hoje à tarde, do qual participarei com Reinaldo Azevedo, da "Veja", e o diretor de assuntos legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura.

Na outra ponta, está programada também para hoje em São Paulo uma manifestação contra a chamada "grande imprensa", com o apoio do PT, da CUT, da UNE e várias organizações não governamentais, e os que se autointitulam "blogueiros independentes", todos, sem exceção, financiados pelo dinheiro público.

Um fato inédito em uma democracia, só registrado na antiga União Soviética - quando os sindicatos tomavam a si a tarefa de controlar seus associados para que atuassem de acordo com as diretrizes governamentais -, é que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo está apoiando o movimento.

Antônio Felício, secretário sindical nacional do PT e secretário de Relações Internacionais da CUT, em artigo publicado no blog do Partido dos Trabalhadores, explicita o que seria essa conspiração, no mais puro chavismo, ou ao estilo do que o governo dos Kirchner está fazendo na Argentina.

Segundo ele, "a verdadeira ditadura do pensamento único" está sendo implantada no país pelas "oito famílias que dominam mais de 80% da mídia impressa, falada e televisionada, e seus satélites".

As ações teriam sido deliberadas "na malfadada reunião do Instituto Millenium, em São Paulo, no mês de março deste ano". E quais seriam as evidências dessa conspiração da "grande imprensa"?

As diversas reportagens publicadas recentemente denunciando tráfico de influência, corrupção e o aparelhamento do Estado com a utilização de órgãos estatais para fins políticos, como a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB e ao próprio candidato da oposição à Presidência, José Serra, ou simplesmente para empregos de parentes e amigos em órgãos públicos.

A mais recente denúncia sobre tráfico de influência alcançou o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cujo Conselho de Administração ele preside, contratou por R$6,2 milhões uma empresa onde seu filho trabalha como representante comercial.

Também ontem se descobriu que uma filha do presidente dos Correios havia sido contratada pelo Gabinete Civil, uma prática nepotista de contratações cruzadas, já que foi Erenice Guerra quem indicou o presidente dos Correios.

São essas denúncias, que já provocaram a demissão de uma ministra de Estado e meia dúzia de dirigentes estatais, que os sindicalistas consideram exemplares da manipulação do noticiário com o objetivo de levar a eleição para o segundo turno.

Esse ambiente de tensão política está sendo alimentado pelo próprio presidente Lula, que vem desfilando de palanque em palanque, dedicado a eleger sua candidata no primeiro turno e a tentar jogar o eleitorado petista contra os meios de comunicação, que estariam unidos em uma conspiração contra seu projeto político.

A sua atuação na campanha eleitoral, que não leva em conta a ética pública nem respeita a chamada "liturgia do cargo", está sendo denunciada por um documento que foi lido ontem pelo jurista Hélio Bicudo, um fundador do PT, assinado por personalidades como o cardeal arcebispo emérito de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso e intelectuais como Ferreira Gullar.

O manifesto fala nos riscos do autoritarismo e critica a ação de grupos que atuam contra a imprensa: "É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e de empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses".

A preocupação generalizada é com a escalada personalista do presidente Lula, que transforma em inimigos todos os que discordam de seu governo. "É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da democracia, mas um inimigo que tem de ser eliminado".

O documento lembra as diversas ocasiões nesta campanha eleitoral em que o presidente da República escarneceu da Justiça Eleitoral, e seu propósito de eleger uma maioria para poder controlar o Senado: "É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário".

O documento finaliza afirmando que é dever dos democratas, para "brecar essa marcha para o autoritarismo", combater uma "visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis".

Estadão 23/09 - - Ato insensato

Dora Kramer



O PT quer constranger os veículos de comunicação. É nítida a intenção de fazer com que a imprensa pegue mais "leve" em relação aos fatos novos de cada dia sobre corrupção, nepotismo, empreguismo e o uso partidário do espaço público no governo Luiz Inácio da Silva.
O presidente fala alto e fala grosso na tentativa de levar jornais, revistas e emissoras a acharem "melhor" deixar esses assuntos para depois da eleição a fim de não serem acusados de favorecer candidaturas de oposição.
Como se fosse aceitável suspender os fatos para não atrapalhar os atos de interesse oficial.
A ofensiva é tão agressiva que leva a pensar se não se trata de medida preventiva contra algo que seja do conhecimento do presidente e os demais brasileiros ainda ignoram.


De outro modo não se pode explicar com argumentos minimamente razoáveis a fúria e o desassombro que tomam conta de Lula e companhia.

Zangado poderia estar José Serra, cuja candidatura é dada como morta e enterrada todos os dias nos meios de comunicação, nunca o presidente Lula, cujo plano de eleger Dilma Rousseff se materializa com pleno êxito.

A imprensa, no caso de Serra, lida com informações transmitidas pelas pesquisas e estas mostram uma dianteira mais do que significativa de Dilma. É o que registram os jornais, as rádios e as televisões: se as eleições fossem hoje, ela estaria eleita em primeiro turno.

Da mesma forma acompanham o desenrolar dos demais acontecimentos: quebras de sigilo fiscal, confecção de dossiês, violação da legalidade por parte do governo em geral e do presidente em particular e mais recentemente a descoberta da central de negócios montada na Casa Civil sob a gerência de Erenice Guerra, a segunda na hierarquia durante a gestão de Dilma e sua substituta depois da saída para a campanha eleitoral.

Disso temos as seguintes consequências: dois inquéritos na Polícia Federal, sindicância na Receita Federal, dois indiciamentos na PF por causa das quebras de sigilo, demissão do primeiro (Luiz Lanzetta) encarregado da comunicação no comitê de Dilma Rousseff, sete multas da Justiça Federal ao presidente da República e cinco demissões de funcionários em função do escândalo Erenice.

Pois diante de tantas informações concretas, Lula afirma e dá fé pública que a imprensa "mente" e "inventa". Ora, se mesmo vitorioso o presidente acha que é preciso valer-se de sua popularidade para ele sim maquiar a realidade é porque vê razões para isso.

Ou teme o que ainda poderia vir por aí e por isso tenta desqualificar a imprensa ou não tem tanta certeza de que o resultado das urnas seja esse mesmo que indicam as pesquisas e por isso se arrisca a um fim de mandato melancólico jogando seu prestígio num lance de pura, e injustificável, histeria.

Até agora o presidente não condenou. Lícito, portanto, presumir que avalize a decisão do PT de organizar um ato público contra a imprensa. Na verdade, convocado sob inspiração presidencial.

O ato seria apenas uma manifestação normal de um grupo que defende determinada posição, não fosse pelo envolvimento do governo na questão. Sendo, é caso de abuso de poder, improbidade e ataque à Constituição.

De acordo com que argumentam os organizadores da manifestação, é preciso reagir "à tentativa da velha mídia de forçar um segundo turno".

Alto lá, a eleição ainda não aconteceu. Como, forçar? Segundo a lei o processo eleitoral em colégios de mais de 200 mil habitantes é composto de dois turnos e o primeiro ainda não aconteceu. Se for necessário ocorrer o segundo, onde está a ilegalidade, o golpismo?

Se alguém está querendo forçar alguém é o governo que usa a sua força - monumental, no presidencialismo imperial brasileiro - para sufocar o contraditório.

Volver. Se Lula olhar bem a lista de signatários do manifesto em defesa da democracia - Hélio Bicudo, d. Paulo Evaristo Arns, Ferreira Gullar, Paulo Brossard -, notará que há 30 anos era gente que sustentava o início de sua trajetória.