Controle da mídia
Publicada em 11/07/2011 às 23h36m
José Casado (jose.casado@oglobo.com.br)
RIO - Rafael Correa, presidente do Equador, é um fenômeno político. Com apenas 600 dias de carreira pública, no Ministério da Economia, candidatou-se e se elegeu presidente, em 2006. Com 100 dias no poder, reescreveu a Constituição. Antes de completar dois anos de mandato já controlava o Poder Legislativo. Nesta semana, completa um processo iniciado há 18 meses para obter, também, a submissão do Poder Judiciário: uma comissão designada e subordinada ao Executivo vai indicar novos juízes, entre os quais um grupo que poderá interpretar a Constituição equatoriana a favor de seu interesse em um terceiro mandato, em 2014.
O projeto de poder de Correa inclui, é claro, a imprensa. Prepara uma lei para controlar os meios de comunicação em todos os níveis - da propriedade acionária à participação no mercado, passando pelo conteúdo editorial com um comitê governamental específico.
A renúncia de Emilio Palacio, editor de Opinião e colunista do "El Universo", de Guayaquil, é apenas um capítulo nessa batalha.
Correa não gosta de opiniões contrárias, principalmente quando publicadas. Usa os meios de comunicação governamentais para, literalmente, xingar quem discorda. E utiliza tribunais para processar, como pessoa física, quem não concorda com o presidente da República. Quando não pode enfrentar o crítico, acusa o mensageiro. Foi o que fez, por exemplo, ao pedir indenização de US$ 10 milhões contra dois jornalistas, Gustavo Calderón e Christian Zurita. Eles são autores de um livro ("El Gran Hermano") com denúncias do irmão mais velho de Correa, Fabricio, sobre corrupção no gabinete presidencial. "Ele não aceita quem pensa diferente", lembra o irmão do presidente.
Correa, agora, está empenhado em "vender" suas ideias para a América do Sul. Na última quinzena o chanceler equatoriano Ricardo Patiño anunciou a decisão do seu presidente de lutar na União de Nações Sul Americanas (Unasul) para a adoção de "uma lei que regule o conteúdo dos meios de comunicação" em toda a região.
É um sonho que Correa compartilha com vários políticos sul-americanos. Em comum, além da sedução autoritária, eles têm biografias sitiadas por denúncias de corrupção e agressões à democracia.
Esse é um blog de Clipping de Miguel do Rosário, cujo blog oficial é o Óleo do Diabo.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Folha 25/07 - - PREGAR PARA CONVERTIDOS
Ombudsman
SUZANA SINGER
Para ser considerado neutro, o jornal tem que provar seus princípios a cada dia, e não brandir palavras de ordem
"Sai do armário, Folha." A provocação, de um leitor de Brasília, não tem nada a ver com gays: convencido de que o jornal é tucano, ele propõe que apoie explicitamente José Serra na eleição. O e-mail foi enviado no domingo passado, às 8h47, provavelmente logo depois que o remetente leu o texto "Folha reafirma princípios editoriais".
A reportagem caiu do céu. Sem apontar nenhum fato novo, dizia que os pontos básicos do projeto editorial -ser crítico, apartidário, moderno e pluralista- continuam valendo na cobertura eleitoral.
"Com o fim da Copa, as eleições monopolizaram o noticiário. Como o ambiente tende a se polarizar cada vez mais, o jornal avaliou que era um bom momento para reafirmar seus princípios editoriais", explica Sérgio Dávila, editor-executivo.
A reação não foi animadora: das 25 mensagens recebidas pela ombudsman, 24 acusavam o jornal de ser tucano e 1 de ser petista.
"Muito interessante que, nessa mesma edição, o primeiro caderno seja uma prova contundente de negação dos princípios editoriais", escreveu Dagmar Zibas, 73.
A professora esperava que "o jornal reservasse espaços iguais para os principais candidatos", mas encontrou, "com destaque, as calúnias do vice do PSDB, as críticas de Serra ao governo, com direito a foto com criancinha e, sobre Dilma, apenas uma imagem".
A advogada Neli Aparecida de Faria, 57, que vai anular o voto em outubro, vê o oposto. "O pedaço da Dilma é sempre maior que o do Serra", diz Neli, que acha que a Folha apoia "sub-repticiamente" o PT.
A noção de que equilíbrio jornalístico implica dar espaços iguais e notícias positivas e negativas na mesma quantidade aparece em muitos questionamentos de leitores. Embora seja um parâmetro na avaliação de uma cobertura, fazer desse critério uma meta engessa o noticiário e o deixa anódino, como acontece em muitos telejornais
Nem sempre é fácil avaliar qualitativamente cada notícia. As reportagens sobre as declarações de Indio da Costa, ligando o PT às Farc, foram vistas como ruins para Dilma por reforçarem um "preconceito", mas também como prejudiciais ao PSDB por mostrarem "despreparo" daquele que pode vir a ser vice-presidente da República.
O produtor Nonato Viegas, 25, passou uma semana contando quantas notícias favoráveis havia para cada candidato e chegou a três vezes mais títulos contra Dilma do que contra Serra. "Acho legal governante ser cobrado, que haja uma mídia forte, crítica, mas tem de ser honesta", afirma.
"Honestidade", para esses leitores, seria a Folha defender em editorial um candidato, como fez o "New York Times" com Barack Obama, mas o jornal afirma não apoiar ninguém.
Simplesmente brandir palavras de ordem de um projeto editorial de 1984, como fez domingo, é pregar para convertidos: quem já acreditava na neutralidade da Folha continuou acreditando. Quem desconfia do jornal viu na reedição dos princípios editoriais hipocrisia. "A inclinação partidária da Folha é tão evidente que dizer o contrário é zombar da nossa inteligência", reagiu um leitor.
Para ser considerado neutro, o jornal tem que provar, até outubro, seus princípios a cada dia.
SANTO DE CASA... A Folha publicou na quinta-feira, com destaque, reportagem afirmando que 20% do eleitorado é analfabeto ou nunca foi à escola, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. Só que os números do TSE são um retrato congelado do momento em que o brasileiro tira o título de eleitor. Um estudante que tenha decidido votar aos 16 anos, ainda no ensino fundamental, e hoje esteja formado na faculdade aparecerá no TSE como "1º grau incompleto".
O jornal usou um levantamento defasado quando tem à disposição números atuais, do Datafolha. A diferença não é pouca. A parcela da população com escolaridade mais alta -a partir do ensino médio completo- no TSE é 19,7%. No Datafolha, dá 42%. Os de baixa escolaridade, que não completaram o ensino fundamental, são mais da metade (53,5%) no TSE e 38% no Datafolha. A categoria de "lê e escreve, mas nunca foi à escola" não é usada pelo instituto de pesquisa.
SUZANA SINGER
Para ser considerado neutro, o jornal tem que provar seus princípios a cada dia, e não brandir palavras de ordem
"Sai do armário, Folha." A provocação, de um leitor de Brasília, não tem nada a ver com gays: convencido de que o jornal é tucano, ele propõe que apoie explicitamente José Serra na eleição. O e-mail foi enviado no domingo passado, às 8h47, provavelmente logo depois que o remetente leu o texto "Folha reafirma princípios editoriais".
A reportagem caiu do céu. Sem apontar nenhum fato novo, dizia que os pontos básicos do projeto editorial -ser crítico, apartidário, moderno e pluralista- continuam valendo na cobertura eleitoral.
"Com o fim da Copa, as eleições monopolizaram o noticiário. Como o ambiente tende a se polarizar cada vez mais, o jornal avaliou que era um bom momento para reafirmar seus princípios editoriais", explica Sérgio Dávila, editor-executivo.
A reação não foi animadora: das 25 mensagens recebidas pela ombudsman, 24 acusavam o jornal de ser tucano e 1 de ser petista.
"Muito interessante que, nessa mesma edição, o primeiro caderno seja uma prova contundente de negação dos princípios editoriais", escreveu Dagmar Zibas, 73.
A professora esperava que "o jornal reservasse espaços iguais para os principais candidatos", mas encontrou, "com destaque, as calúnias do vice do PSDB, as críticas de Serra ao governo, com direito a foto com criancinha e, sobre Dilma, apenas uma imagem".
A advogada Neli Aparecida de Faria, 57, que vai anular o voto em outubro, vê o oposto. "O pedaço da Dilma é sempre maior que o do Serra", diz Neli, que acha que a Folha apoia "sub-repticiamente" o PT.
A noção de que equilíbrio jornalístico implica dar espaços iguais e notícias positivas e negativas na mesma quantidade aparece em muitos questionamentos de leitores. Embora seja um parâmetro na avaliação de uma cobertura, fazer desse critério uma meta engessa o noticiário e o deixa anódino, como acontece em muitos telejornais
Nem sempre é fácil avaliar qualitativamente cada notícia. As reportagens sobre as declarações de Indio da Costa, ligando o PT às Farc, foram vistas como ruins para Dilma por reforçarem um "preconceito", mas também como prejudiciais ao PSDB por mostrarem "despreparo" daquele que pode vir a ser vice-presidente da República.
O produtor Nonato Viegas, 25, passou uma semana contando quantas notícias favoráveis havia para cada candidato e chegou a três vezes mais títulos contra Dilma do que contra Serra. "Acho legal governante ser cobrado, que haja uma mídia forte, crítica, mas tem de ser honesta", afirma.
"Honestidade", para esses leitores, seria a Folha defender em editorial um candidato, como fez o "New York Times" com Barack Obama, mas o jornal afirma não apoiar ninguém.
Simplesmente brandir palavras de ordem de um projeto editorial de 1984, como fez domingo, é pregar para convertidos: quem já acreditava na neutralidade da Folha continuou acreditando. Quem desconfia do jornal viu na reedição dos princípios editoriais hipocrisia. "A inclinação partidária da Folha é tão evidente que dizer o contrário é zombar da nossa inteligência", reagiu um leitor.
Para ser considerado neutro, o jornal tem que provar, até outubro, seus princípios a cada dia.
SANTO DE CASA... A Folha publicou na quinta-feira, com destaque, reportagem afirmando que 20% do eleitorado é analfabeto ou nunca foi à escola, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral. Só que os números do TSE são um retrato congelado do momento em que o brasileiro tira o título de eleitor. Um estudante que tenha decidido votar aos 16 anos, ainda no ensino fundamental, e hoje esteja formado na faculdade aparecerá no TSE como "1º grau incompleto".
O jornal usou um levantamento defasado quando tem à disposição números atuais, do Datafolha. A diferença não é pouca. A parcela da população com escolaridade mais alta -a partir do ensino médio completo- no TSE é 19,7%. No Datafolha, dá 42%. Os de baixa escolaridade, que não completaram o ensino fundamental, são mais da metade (53,5%) no TSE e 38% no Datafolha. A categoria de "lê e escreve, mas nunca foi à escola" não é usada pelo instituto de pesquisa.
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sábado, 12 de junho de 2010
Estadão 12/06 - - Dilma ataca oposição e seus ''apoiadores na mídia''
Em reunião do PT, candidata se diz pronta para confronto com tucanos, sem citar nome de Serra: ""Jamais esperavam que em junho estaríamos empatados""
Vera Rosa e Eugênia Lopes
No dia em que o Diretório Nacional do PT foi chamado de "fascista" por militantes após decidir apoiar a reeleição da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu uma ampla coalizão e disse que o partido sairá fortalecido da aliança com o PMDB.
Por 43 votos a favor, 30 contra e duas abstenções, a cúpula do PT enquadrou a seção maranhense do partido e obrigou o aval a Roseana, conforme antecipou o Estado. Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma, o Diretório Nacional também anulou o encontro estadual petista, que em março resolvera aderir à campanha do deputado Flávio Dino (PC do B).
"Ainda estou sentindo o caminhão da Scania em cima de mim, do meu peito", afirmou Dino. Com a saída formal do PT da aliança, o comunista conta agora apenas com o PSB.
A decisão provocou protestos de sete integrantes do PT maranhense. "Hi, Hitler! Hi, Dutra!", berraram os petistas assim que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, apareceu no saguão. "O PT se vendeu. É fascista!", protestou Maria de Lourdes da Silva, que pisou em uma estrela do partido. "Vocês vão dar um voto envergonhado!"
Dutra não respondeu. "Acho um exagero essa reação", disse ele. Em represália ao veredicto do PT, o deputado Domingos Dutra (MA) ameaça fazer greve de fome.
A imposição da aliança com Roseana ocorreu em nome do projeto nacional. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conversou com Lula várias vezes, nos últimos meses, pedindo apoio à filha.
Dilma abriu a reunião do PT antes da votação sobre o palanque no Maranhão e seguiu depois para Tiradentes (MG), onde se reuniu com empresários. Disposta a mostrar que está pronta para o confronto, ela deu várias estocadas nos tucanos, sem citar o nome do pré-candidato do PSDB, José Serra.
Confiante na vitória, a ex-ministra afirmou que o PT ampliará sua bancada no Congresso. "Eles subestimaram a força do nosso projeto político", insistiu. "Jamais esperavam que entre o final de maio e início de junho estaríamos empatados."
O PT só vai lançar candidatos próprios aos governos de 11 Estados, já que cederá a cabeça da chapa para aliados em colégios eleitorais importantes, como Minas e Rio. "Dilma sentou na ponta e o PMDB cobrou a conta: disse que queria ter candidato em Minas, Rio e Maranhão", comentou o deputado Virgílio Guimarães (MG).
Apelo. A pré-candidata do PT apelou para que o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias aceite ser vice da chapa encabeçada pelo senador Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas. "Eu não quero ser tratado como salvador da Pátria", devolveu Patrus.
Uma resolução política aprovada ontem pelo PT criticou a imprensa e a coligação de Serra. "Farão de tudo para levar a eleição ao segundo turno (...), estimulando a judicialização da política, usando os grandes meios de comunicação como boletins de campanha", diz o documento.
Vera Rosa e Eugênia Lopes
No dia em que o Diretório Nacional do PT foi chamado de "fascista" por militantes após decidir apoiar a reeleição da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), a pré-candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu uma ampla coalizão e disse que o partido sairá fortalecido da aliança com o PMDB.
Por 43 votos a favor, 30 contra e duas abstenções, a cúpula do PT enquadrou a seção maranhense do partido e obrigou o aval a Roseana, conforme antecipou o Estado. Pressionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por Dilma, o Diretório Nacional também anulou o encontro estadual petista, que em março resolvera aderir à campanha do deputado Flávio Dino (PC do B).
"Ainda estou sentindo o caminhão da Scania em cima de mim, do meu peito", afirmou Dino. Com a saída formal do PT da aliança, o comunista conta agora apenas com o PSB.
A decisão provocou protestos de sete integrantes do PT maranhense. "Hi, Hitler! Hi, Dutra!", berraram os petistas assim que o presidente do PT, José Eduardo Dutra, apareceu no saguão. "O PT se vendeu. É fascista!", protestou Maria de Lourdes da Silva, que pisou em uma estrela do partido. "Vocês vão dar um voto envergonhado!"
Dutra não respondeu. "Acho um exagero essa reação", disse ele. Em represália ao veredicto do PT, o deputado Domingos Dutra (MA) ameaça fazer greve de fome.
A imposição da aliança com Roseana ocorreu em nome do projeto nacional. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conversou com Lula várias vezes, nos últimos meses, pedindo apoio à filha.
Dilma abriu a reunião do PT antes da votação sobre o palanque no Maranhão e seguiu depois para Tiradentes (MG), onde se reuniu com empresários. Disposta a mostrar que está pronta para o confronto, ela deu várias estocadas nos tucanos, sem citar o nome do pré-candidato do PSDB, José Serra.
Confiante na vitória, a ex-ministra afirmou que o PT ampliará sua bancada no Congresso. "Eles subestimaram a força do nosso projeto político", insistiu. "Jamais esperavam que entre o final de maio e início de junho estaríamos empatados."
O PT só vai lançar candidatos próprios aos governos de 11 Estados, já que cederá a cabeça da chapa para aliados em colégios eleitorais importantes, como Minas e Rio. "Dilma sentou na ponta e o PMDB cobrou a conta: disse que queria ter candidato em Minas, Rio e Maranhão", comentou o deputado Virgílio Guimarães (MG).
Apelo. A pré-candidata do PT apelou para que o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias aceite ser vice da chapa encabeçada pelo senador Hélio Costa (PMDB) ao governo de Minas. "Eu não quero ser tratado como salvador da Pátria", devolveu Patrus.
Uma resolução política aprovada ontem pelo PT criticou a imprensa e a coligação de Serra. "Farão de tudo para levar a eleição ao segundo turno (...), estimulando a judicialização da política, usando os grandes meios de comunicação como boletins de campanha", diz o documento.
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